Gonzalo Fuentes / Reuters
Gonzalo Fuentes / Reuters

Tite fecha preparação para Copa e quer seleção 'humana'

CBF vai promover despedida da seleção com “povo” no Maracanã, manter as famílias próximas e não vai fechar a concentração na Rússia

Jamil Chade, enviado especial a Moscou, O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2017 | 08h26

MOSCOU – O técnico Tite monta um plano para a seleção para a Copa do Mundo com um objetivo: “humanizar” o grupo e criar um clima positivo com famílias e com o torcedor. Edu Gaspar, coordenador técnico da seleção brasileira, explicou nesta quinta-feira em Moscou que a ideia da CBF é a de resgatar a relação da seleção com o “povo” e, para isso, vai promover um jogo de despedida no Maracanã momentos antes de embarcar para a Rússia, em junho de 2018.

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Mas o objetivo é também a de "quebrar paradigmas" e evitar o confinamento dos jogadores por quase dois meses. A CBF confirmou nesta quinta-feira que Sochi será de fato a base da seleção na Rússia, a partir de maio de 2018. Tudo, porém, será feito para "quebrar tabus".

A seleção, por exemplo, não terá psicólogos. "Tite é um bom psicólogo", disse Edu. Se durante os anos de Luis Felipe Scolari era a "família Scolari" a prioridade, agora a CBF quer uma mudança e convidar as famílias a ficar em um hotel perto da seleção, em Sochi. "A família potencializa a vitória. Onde é que uma família não é bem-vinda?", questionou Edu, lembrando de sua experiência no Corinthians de permitir a entrada dos filhos dos jogadores aos sábados. 

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“Não queremos ninguém 100% confinados. São muitos dias e precisamos ter relações com a família. Humanizar o dia-dia. Fazer uma coisa mais normal, bater bola com o filho”, afirmou. 

Em Sochi, o hotel usado pela seleção não estará fechado exclusivamente para o time. Mas Edu deixa claro que isso não quer dizer que a concentração se transforme em uma repetição de Wengen, a cidade na Suíça que serviu de preparação para o Mundial de 2006. 

Apesar de não ter privacidade total, Tite não vai adotar cartilhas. “Dia de folga é dia de folga”, avisou Edu. Ele, porém, insiste que tudo será “conversado antes”. “O que não podemos ter é surpresa”, insistiu.

Povo

Outra estratégia é a de construir uma relação "positiva" com o torcedor. Antes de embarcar para a Copa, Tite quer um amistoso no Rio de Janeiro. "O jogo serve de preparação. Mas também para dar um sinal ao povo de que estamos saindo todos juntos", disse Edu.

Uma das ideias é até de pedir para a Fifa que se autorize onze substituições para que todos os jogadores possam entrar em campo. "Queremos uma aproximação com o povo", disse.

O calendário da seleção em 2018 começará com dois amistosos em março, contra Rússia e Alemanha. No dia 21 de maio, a seleção estará completa na Granja Comary, exceção feita em caso de algum brasileiro for jogar a final da Liga dos Campeões, dia 26. Depois do amistoso de despedida no Rio, o Brasil montará sua base no campo do Tottenham, em Londres. 

Ali, mais um amistoso poderia ser feito e, no fundo, o período inglês do time acabará sendo o mais longo de toda a preparação, com cerca de dez dias. A chegada a Sochi, portanto, ocorria apenas uma semana antes da estreia. 

"Queremos separar a preparação em três partes para evitar que os jogadores fiquem fechados por tanto tempo", disse. 

Presidencial - Uma vez em Sochi, o que a comissão técnica planeja é transformar a parte do hotel em um local de "bem-estar" e que permita os jogadores se relaxarem. Além de levar comida brasileira, a comissão quer transformar a suite presidencial do hotel e outros locais em salas de recuperação para os atletas depois dos jogos e treinamentos, além de montar uma academia. 

Com um torneio curto e com sete jogos até a final, Edu insiste que quer investir "na recuperação de atletas". 

O coordenador minimizou as distâncias e apontou que o principal critério para escolher Sochi foi a infraestrutura, hotel e a existência de um bom campo. Um dos problemas é que a sede precisa ser definida, segundo ele, antes do sorteio. "Vamos ficar no sul. Mas pode ser que tenhamos de jogar no norte", disse. "Os deslocamentos são bem organizados". Outra vantagem de Sochi é que é uma das cidades que mais vai receber jogos na Copa. 

Alma - A preparação ainda incluir afastar todos os fantasmas da Alemanha. O amistoso marcado para março, em Berlim, contra os rivais serviria justamente para esse propósito. "Se tiver algum ambiente negativo, que ocorra agora. Tiraremos um pouco do passado e isso é parte da preparação para o Mundial", disse o coordenador. 

A comissão técnica, porém, insiste que não é hora de jogador "tirar o pé" em seus clubes. "Estamos dizendo a todos eles: estamos de olho. Faça o melhor que puder", completou.

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