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Tite impõe retranca e fala em Libertadores

"Contato físico, mas sem maldade, é do jogo, é vibração". Em pouco mais de 30 minutos de conversa e uma hora de treino, Tite, que assumiu hoje o comando técnico do Corinthians, deixou claro que a equipe sofrerá sérias mudanças. Quem gosta do futebol solto, técnico e fazedor de gols que se prepare. A ordem no Parque São Jorge é clara: muita pegada, retranca e, quando der, um golzinho. Depois do Palmeiras de Luís Felipe Scolari, é a vez dos corintianos provarem o gosto do estilo gaúcho de jogo. E a nova linha de trabalho já poderá ser conferida no clássico de domingo, contra o São Paulo, no Morumbi. Tite não fala com todas as letras (a palavra "retranca", pôr exemplo, não foi citada, pelo menos em seu primeiro contato com o grupo), mas nas entrelinhas deixou claro qual é sua idéia para conseguir o que seus três antecessores no cargo tentaram, tentaram e falharam. Assim como Oswaldo de Oliveira, Juninho e Júnior, Tite concluiu que o grupo está com a auto-estima em baixa e que se mostra intimidado pela grandiosidade do clube. "A única solução nesse caso é conquistar os resultados. Para isso é preciso que o time seja um pouco mais conservador no começo do trabalho. Depois, com o tempo, pode se tornar mais arrojado", comentou. É nesse ponto que nascem as mudanças. O novo treinador corintiano cobrou vibração, termo repetido inúmeras vezes durante o treinamento. Acha que os jogadores se mostram pacatos e intimidados pela pressão decorrente da crise. "Quero alegria. Nunca vi ninguém conseguir fazer algo bem feito sem gostar do que está fazendo. É simples", observou. E quer ver Tite franzir a testa? Pergunte se o principal objetivo dele, nesse momento, é evitar o rebaixamento. "Estou pensando na Libertadores. Acho que esse é nosso primeiro passo", disse. "Conforme o resultado do trabalho daqui para frente, podemos pensar no título." O Corinthians é o atual 17.º colocado do Campeonato Brasileiro, com sete pontos em sete rodadas. Para completar, o saldo de gols é -12, resultado de 19 sofridos e apenas sete marcados. Outro time - Como o primeiro objetivo é não sofrer gols, Tite trocou o tradicional esquema tático 4-4-2, adotado até o último jogo (goleada por 5 a 0 para o Atlético-PR) por Oswaldo de Oliveira, pelo 3-5-2. As principais mudanças são o recuo de Wendel, que formará o trio defensivo ao lado de Anderson e Váldson, e as presenças de Coelho e Zé Carlos nas laterais direita e esquerda, respectivamente. Como o volante colombiano Freddy Rincón não enfrenta o São Paulo por causa de lesão muscular que o deixará afastado de sete a dez dias, Tite optou por Rogério no meio. Rodrigo também treinou na posição, mas como nunca esteve em forma nos cinco meses no clube, não deve ser aproveitado. Na frente, Gil e Marcelo Ramos, mas Jô será liberado no sábado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e pode ser escalado.

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