Lucas Figueiredo/CBF
Lucas Figueiredo/CBF

Tite inicia busca por segunda Copa com mais de 90 jogadores convocados

Após superar processo como estreante no cargo, treinador faz primeira convocação para as Eliminatórias para Mundial do Catar

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

05 de março de 2020 | 15h00

O técnico Tite, da seleção brasileira, convoca nesta sexta-feira, no Rio, os jogadores para os dois primeiros compromissos das Eliminatórias da Copa de 2022, no Catar, em uma situação bastante confortável em relação aos antecessores no cargo. O único treinador em 40 anos a permanecer no comando da equipe após um Mundial tem a favor no início desta etapa uma experiência de quase quatro anos na função e mais de 90 jogadores convocados.

Os jogos no fim de março contra Bolívia, no Recife, e Peru, em Lima, abrem a caminhada brasileira rumo ao Catar e colocam em prática a preparação iniciada por Tite para este momento. Desde o fim da Copa da Rússia até hoje, o treinador chamou 26 novatos para a seleção brasileira e procurou emplacar uma renovação gradual do elenco.

A bagagem acumulada como treinador da seleção brasileira faz Tite superar um dos problemas que mais lhe incomodou no início da gestão: a falta de experiência. Após assumir o cargo em junho de 2016, o técnico de 58 anos encarou nos últimos anos a primeira Copa do Mundo da carreira, conquistou o primeiro título pela seleção brasileira (Copa América) e conviveu com mudanças na comissão técnica. A principal delas foi a saída no ano passado do coordenador Edu Gaspar, de quem era próximo desde os tempos de Corinthians.

O treinador deve anunciar na convocação, na sede da CBF, uma lista mesclada entre jogadores com vaga praticamente cativa na seleção (Marquinhos, Casemiro, Neymar, Coutinho, entre outros) e novidades que conquistaram recentemente o espaço na equipe. Tite acompanhou de perto a seleção olímpica na Colômbia e nas últimas semanas enviou os membros da comissão técnica em viagens com o objetivo foi avaliar jogadores.

Ao todo, o técnico já trabalhou com 94 jogadores em quatro anos de seleção e conseguiu bons resultados. Tite disputou 48 jogos e tem aproveitamento de quase 80% dos pontos. Das quatro derrotas sofridas, somente uma foi em jogo oficial: a eliminação na Copa da Rússia diante da Bélgica, nas quartas de final. A defesa se mostrou um ponto forte do trabalho do treinador. O Brasil só sofreu 17 gols nesse período.

Mais "cascudo", Tite terá pela frente um ano significativo à frente da seleção brasileira. Além das oito primeiras rodadas das Eliminatórias, a equipe vai disputar em junho a Copa América, na Colômbia. O extenso calendário deve fazer o treinador entrar na lista dos cinco nomes que mais dirigiram o Brasil junto com Zagallo, Carlos Alberto Parreira, Dunga e Aymoré Moreira.

A temporada de 2020 marca ainda o retorno da seleção brasileira para jogos diante da torcida. Desde o título da Copa América, conquistadas no Maracanã, a equipe não atuou mais dentro de casa. O segundo semestre de 2019, aliás, foi marcado por resultados ruins em amistosos disputados em países distantes como Cingapura e Arábia Saudita. Agora será a hora de se reaproximar do público.

NEYMAR

Ao longo de todo o tempo em que ficou no cargo, Tite teve como alguns dos momentos mais espinhosos os problemas de Neymar. O maior deles foi na Copa América do ano passado, quando uma acusação por estupro e crime virtual levaram à concentração da CBF policiais em busca de conversar com o jogador. No fim, uma lesão no tornozelo tirou o camisa 10 da disputa da competição.

Na Copa do Mundo, na Rússia, o atacante esteve no centro da polêmica sobre excesso de simulação de faltas e por ter levado ao torneio um estafe particular até mesmo com cabeleireiro. Fora isso, a presença do pai dele em hotéis onde a delegação se hospedava causou incômodo em alguns jogadores. 

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