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Tite mostra incoerência em seus argumentos de testar a seleção brasileira

Treinador insiste em Coutinho, mas no primeiro contratempo o saca do time com 33 minutos do primeiro tempo diante do Equador

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2022 | 05h00

Tite mostra incoerência ao tirar Philippe Coutinho do jogo contra o Equador por opção após a expulsão do lateral Emerson Royal. Se o treinador apostou no retorno do meia mesmo sem que ele tivesse demonstrado muita coisa para estar no grupo, seria mais do que natural que mantivesse Coutinho em campo para justificar sua escolha e defender seus argumentos. Mas não foi isso o que aconteceu. Ele ficou 33 minutos em campo. Tite mudou para recompor a defesa.

Ora, sacar o jogador só provou o contrário de seus argumentos. Tite não queria testar? Mas parece que ele não quer perder jogos também. Jogos que não valem nada para o time. Ganhar para quê? O Brasil já está na Copa do Catar. Tanto faz chegar em primeiro ou em quarto lugar. Mas Tite não pensa dessa forma. Ele sacou um provável substituto de Neymar para recompor o setor defensivo. Poderia ter escolhido qualquer outro, menos Philippe Coutinho.

Também vi um Alisson fora de jogo e de forma, acima do peso pelas imagens da TV. Somente eu enxerguei isso? Posso estar errado. Talvez essa condição, que não é natural do goleiro do Brasil, possa explicar algumas de suas lambanças. Atrasado em algumas jogadas que costumeiramente vai bem. Alisson sempre foi seguro. Não entendi muitas coisas desta seleção em Quito para falar a verdade.

Os testes e ensaios que o treinador tanto comentou não foram feitos, não a contento. Era preciso ter mais coragem. Os atacantes que ficaram no banco e que entraram depois estão em fase ruim, como Gabriel Jesus. Daniel Alves piorou a equipe. Gabigol teve pouco tempo. Poderia também ser mais bem testado. Gabriel Jesus não acerta mais nada. Tite diz que ele é importante taticamente, jogando pela esquerda e ajudando a marcar. Mas atacante tem de fazer gols também. 

Antony jogou por ele e por Daniel Alves na direita, mesmo pecado cometido em partidas passadas com Vinícius Júnior, quando o jogador teve de marcar o lateral. Entendo a preocupação defensiva, mas era hora, repito, de fazer coisas novas, pensando não nas Eliminatórias, mas na Copa do Catar. Tite desperdiça 90 minutos. Não quero aqui nem entrar no mérito das grosserias do árbitro.

A altitude de Quito também dificulta um pouco ou muito alguns jogadores, mas não penso que esse tenha sido o ponto do Brasil e do treinador. O Equador foi melhor e teve boas chances de gol. Não marcou porque faltou qualidade. Fosse contra uma equipe europeia, com mais bola, o Brasil poderia ter perdido o jogo, como tem acontecido em Copas. Na Rússia foi assim. E Tite estava lá.

Também não enxerguei nada de diferente no posicionamento tático do time, para uma situação diferente de jogo pensando no Mundial deste ano. Tite prometeu que faria isso nessas partidas remanescentes das Eliminatórias. São treinos de luxo para o Brasil. É hora de arriscar, mesmo que o resultado seja ruim. Dunga chegou na Copa do Mundo da África do Sul ganhando tudo antes dela. Caiu diante da Holanda. Tite recuperou o Brasil para a disputa na Rússia. Perdeu para a Bélgica. Alguma coisa então precisa ser feito de diferente. E Tite tem essa chance, uma vez que já se garantiu. Tomara que ele tenha mais coragem da próxima vez.

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