Tite pede e Corinthians terá psicólogo

A derrota para o Mogi Mirim por 2 a 1 logo estréia do Campeonato Paulista terá conseqüências no Corinthians. Um velho pedido do técnico Tite será satisfeito. O clube quebrará um tabu e imitará a seleção brasileira - contratará um psicólogo para traçar o perfil de cada atleta. O técnico quer apressar a integração das badaladas e milionárias estrelas que foram contratadas com os esforçados jogadores que já pertenciam ao clube antes da parceria com a MSI.Já foi possível perceber no Pacaembu na quarta-feira o quanto o time está desequilibrado psicologicamente. A ansiedade e o medo dos antigos titulares absolutos em perder o lugar para as estrelas já está afetando os jovens que formam a base corintiana.Regina Brandão é a mais cotada para traçar os perfis dos atletas que tanto Tite deseja. "Nós temos de dar atenção para o lado psicológico. O Corinthians será cobrado demais neste ano. As expectativas de todos são enormes. Os atletas precisam estar preparados. Tendo nas mãos os perfis psicológicos de cada jogador, Tite saberá como arrancar mais dele e coordenar a integração do grupo. Nós estamos escolhendo o psicólogo para este trabalho. Mas, possivelmente, será mesmo a Regina Brandão, que trabalha bem com o futebol", resume o diretor de futebol e psicólogo Paulo Angioni.Há um conflito silencioso e inevitável que reflete no time. A pressão psicológica pela briga para ser titular do milionário Corinthians da MSI é enorme. O grupo que já estava no clube sabe que terá de ceder seu lugar para os contratados. Valerá muito para a carreira de cada atleta ser titular em 2005, não só financeiramente como em prestígio para convocações para defender as seleções do Brasil e da Argentina.Com o perfil dos atletas, Tite saberá melhor como se relacionar com os jogadores neste delicado momento. "A pressão em cima dos meninos que formam a base do Corinthians está sendo forte. Não é fácil pertencer a um clube durante anos e depois chegarem atletas de fora e ficarem com a vaga. Isso acontecia muito no meu ex-clube, o Newell?s. Mas o futebol é assim", afirma o zagueiro argentino Sebastian, que custou US$ 2,5 milhões e fará a sua estréia no dia 29 contra o América.Com personalidades diferentes, as reações no grupo corintiano têm sido as mais diversas. Gil trocou a velha timidez pela indignação. Ao saber que perderia a camisa 10 para Tevez, ele resolveu reclamar publicamente. "Eu não esperava que a coisa acontecesse dessa maneira. Preferia que me tivessem avisado antes que não jogaria mais com o número que gosto", assumiu antes do jogo contra o Mogi.Durante a partida, ele correu como um alucinado, bem mais do que costuma fazer. Estava claro que desejava mostrar a sua importância no time. "Aqui ninguém tem medo de perder a posição porque todos podem ser titulares. Quem chegou é que precisa mostrar ter futebol para tirar a vaga de alguém. Nome ou dinheiro gasto pelo clube não vai pesar", garante Renato. O meia foi substituído no intervalo do jogo e terá sérias dificuldades em arrumar um lugar no time.Ansiedade - Contra o Mogi, Tite diagnosticou um grave problema que não tem nada a ver com o seu esquema tático. E que causou a derrota. "A ansiedade da equipe. O time não teve calma para conseguir fazer os gols que criou. Tomamos dois gols com a equipe mal posicionada. Isso é concentração no jogo. Vamos fazer de tudo para corrigir esse defeito o mais rápido possível", avisava o treinador.O ideal seria o Corinthians trabalhar com um psicólogo efetivo. Mas o preconceito no futebol ainda impera. Dirigentes sabem que jogadores não gostam de psicólogos com as delegações por medo que seus problemas acabem vazando para os outros atletas ou para a imprensa. "Perfil psicológico é um ingrediente indispensável para o futebol moderno. A comissão técnica tem de conhecer de verdade o grupo. Psicólogo não é necessário. O perfil já basta para o que desejamos", resume Paulo Angioni.

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