Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Tite põe em prática um 'tiki-taka' à brasileira no Mundial da Rússia

Seleção aposta em passes curtos e valoriza a posse de bola, características diferentes da equipe de 2014

Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

30 Junho 2018 | 05h00

Uma seleção que valoriza a posse de bola e os passes curtos, e que raramente recorre ao “chutão” para sair jogando. Quando se observam os números detalhados das partidas do Brasil nas fases de grupos das duas últimas Copas, esta é a mudança mais evidente do time de Luiz Felipe Scolari, 4.º colocado do Mundial em casa, para o de Tite, classificado para as oitavas de final na Rússia nesta edição.

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Tite impôs um estilo de jogo mais sóbrio e pragmático do que Felipão – uma forma de jogar relacionada à carreira do treinador e a seu modo de pensar a construção de um time.

Os números apontam para um Brasil que escolhe colher os frutos do “tiki-taka” que ajudou a Espanha a levar o título de 2010, na África do Sul, mas que também consegue ressaltar o papel individual de peças importantes. Foram 1.793 passes nesta primeira fase do Mundial, 45% mais do que em 2014.

O desempenho de um torneio para o outro é parecido. Na chave com Croácia, Camarões e México em 2014, o Brasil terminou a etapa em primeiro, com sete pontos, a mesma marca alcançada neste ano, após duas vitórias (Costa Rica e Sérvia) e um empate (Suíça) pelo Grupo E. No Brasil, a seleção fez sete gols em três jogos, contra cinco marcados pela equipe de Tite.

Uma diferença diretamente relacionada à valorização dos passes curtos é na posse de bola. O Brasil de Tite termina a primeira fase com média de 61% de controle nos jogos. O Brasil foi a terceira equipe que mais trocou passes na Copa até aqui, atrás da Espanha, com 2.161, e da Alemanha, com 1.840. Depois de três jogos em 2014, o grupo de Felipão não estava nem entre os 15 com mais passes nas partidas da competição. A seleção conseguiu finalizar mais desta forma. Foram 53 chutes a gol na primeira fase do Mundial deste ano. Foi o segundo time que mais finalizou, depois também dos alemães, já eliminados, com 67. É outra mudança significativa desde a disputa da 1.ª fase da última edição, em que o Brasil fechou a etapa finalizando 45 vezes, menos do que França, Gana, Portugal, Suíça, Argentina e Bósnia-Herzegovina.

 

Outro aspecto que chama atenção é a forma como peças importantes do elenco ganharam mais protagonismo e passaram a acertar mais. Para além da experiência, os números mostram evolução técnica da principal estrela do time, Neymar, e do capitão de 2014, e que continua como titular, Thiago Silva. Neymar fez bem menos gols. Terminou a etapa de grupos há quatro anos como artilheiro, com quatro gols. Neste ano, só fez um e é alvo de cobranças por atuações mais decisivas. Mas têm se destacado de outras formas, e dividindo o protagonismo com outros, como Coutinho, que vive boa fase.

Apesar de ter finalizado menos do que em 2014, Neymar é o atleta que mais chutou a gol na Copa. Passou a ser articulador de jogadas. Quase dobrou o número de passes em três jogos e passou a ser o principal “alvo” da marcação. Thiago ajuda mais na saída de bola. Aumentou significativamente seu número de passes e mostrou mais iniciativa, com finalizações e um gol.

 

 

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