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Tite: 'Quero manter o padrão dos últimos jogos’

Leia a entrevista coletiva do treinador da seleção antes do confronto contra a Bolívia

Ciro Campos, enviado especial Natal, O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2016 | 05h00

Como tem sido trabalhar com o entusiasmo e o favoritismo?

É injusto isso, é um excesso de elogio. A idade me trouxe a lucidez para saber que trabalhamos em conjunto. É uma sequência de trabalho em que os atletas, a comissão e torcida dão a condição de um grande jogo. Apenas faço parte disso.

Quais qualidades pessoais lhe ajudam na seleção?

Eu tento ter qualidade, mas humanamente algo vai me fugir. Eu agradeço a Carlos Alberto Silva e a Pedro Pires de Toledo, que me ajudaram a ter essa índole. Eles me ensinaram que o futebol é igual a outras atividades, que não precisa ser malandro para se dar bem. Aprendi com eles que pode falar frente a frente, que pode dialogar. Tem que competir, elevar o nível técnico, ser legal e ter personalidade forte. Essa personalidade não é o que vem reclamar publicamente, mas quem sai da equipe, elabora internamente a dor interna e volta para treinar ainda mais forte.

Por que Giuliano como titular?

Trabalhamos no Inter e foi nessa função que ele mais rendeu. Antes ele jogava como meia mais avançado. Conversei com o Roger sobre a passagem dele pelo Grêmio e acompanhei o que ele tem feito na Rússia.

Gosta do rodízio de sedes nos jogos da seleção? Isso ajuda ou prejudica?

O campo da Arena das Dunas é um tapete. A atmosfera é boa. Esse jogo é para mostrar nossa maturidade como equipe. Sabemos que a gente vem de dois bons resultados, e isso não assegura nada. Essa Bolívia ganhou do Peri e empatou com o Chile, que era a grande equipe meses atrás. O Chile ganhou a Copa América com um futebol eficiente, eu vi do estádio. Temos que jogar em todos os locais para se acostumar com níveis de dificuldade. Há cidades críticas e outras que apoiam mais. Precisamos de maturidade para absorver isso, ficamos isentos e ir lá jogar.

Qual a sua expectativa para essa nova formação?

Quero manter o padrão e aos poucos, consolidar. Mesmo sabendo que as substituições podem custar na engrenagem, quero que produza. Se fizer o que fez no jogo com a Colômbia, não vou dormir antes das 4h da manhã, por tamanha felicidade com o desempenho.

O que muda com o Philippe Coutinho no time?

A composição para formar como quarto homem do meio-campo, para flutuar, é feita com maestria. Além das opções, mobilidade, o senso criativo. Não à toa ele é chamado de Mago no Liverpool. Ele entrou bem nos dois jogos, não só pelo cansaço dos adversários, mas pela qualidade.

Pensa em pedir para algum pendurado forçar cartão para cumprir suspensão contra a Venezuela e possa enfrentar a Argentina?

Tenho um padrão para essas perguntas. Os três pontos do Equador valem os mesmo três de uma vitória contra a Argentina. Claro que tem um peso maior, o de ser um clássico, mas o nosso objetivo é a classificação. Precisamos ser inteligentes para avaliar isso. Se tiver que tomar oito cartões, todos ficarem fora, mas ainda assim ter o melhor desempenho possível, que se faça isso.

Como resgatar jogadores que foram mal no 7 a 1? Você convocou o Fernandinho, que jogou mal naquela semifinal.

Todos nós brasileiros perdemos no 7 a 1. Eu perdi junto, a crônica brasileira também, a torcida, os diretores e todos mais. Uns mais, outros menos. O Fernandinho vem tendo um desempenho no Manchester City a ponto de ser elogiado pelo Pep Guardiola. O Edu Gaspar (gerente da CBF) conversou esses dias com o (Patrick) Vieira (ex-jogador francês) e ele elogiou demais o Fernandinho, falou que tem muita qualidade. A gente não pode crucificar em cima de uma circunstância. A mesma individualização não serve para o Thiago Silva. Ele não jogou. É uma outra etapa, um outro ciclo. Uma vida que segue.

Como falou com o Thiago Silva sobre ele ser reserva?

O conceito que faço é das minhas abordagens com as pessoas. Eu coloquei para os todos os atletas que a escalação passa pelo passado, pelo momento no clube e na posição comigo dentro da seleção. Marquinhos e Miranda jogaram muito. Isso que é coerência. 

E o que espera do público nordestino?

Temos uma forma de jogar que uma hora vai voltar ao goleiro para que encontrar a melhor saída de jogo. É um pouco da nossa forma de jogar para que a gente possa produzir bem. Não podemos nos levar por uma situação porque vencemos os dois jogos. Então, é um pedido que faço.

O lateral Wendell é do Nordeste. Ele pode jogar?

Ele é um jogador que na seleção olímpica, pelas informações do Micale, trouxe boas referências. Teve boa passagem no Grêmio, vive bom momento na Alemanha, onde todo mundo evolui muito na parte tática.

Quais mudanças você implantou na preparação física? Os jogadores que atuam na Europa vieram de voo fretado, por exemplo.

Quem vem de fora, tem fuso horário, e ficou mais barato com o voo fretado saindo da Espanha. Propiciamos descanso maior. Alguns atletas tiveram dificuldade de adaptação. A alimentação demora um tempo para voltar ao normal. Então, modificamos nossos treinos.

Por que Renato Augusto será capitão?

Ele tem uma inteligência tática acima do comum, aprendeu isso na Alemanha. É um cara autêntico.

Pensa que pode virar líder e ter ainda mais ter tranquilidade?

Nas duas últimas Eliminatórias, 54% de aproveitamento tem bastado. Acho que são uns 28, 29 pontos. Preciso ficar atento que é necessário ter um bom nível de atuação, pegar a bola e ir jogar, independente do que aconteça. Quando o resultado vem com desempenho, isso é muito forte, dá confiança.

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