Diego Vara / Reuters
Diego Vara / Reuters

Tite reconhece gravidade de denúncias contra Caboclo, mas diz: 'Não é da nossa alçada'

Após afastamento do presidente da CBF, por denúncia assédio sexual e moral, treinador se esquiva, mas reafirma que atletas vão falar sobre Copa América após jogo de terça-feira

Redação, O Estado de S. Paulo

07 de junho de 2021 | 16h15

Na primeira entrevista após o afastamento de Rogério Caboclo da presidência da CBF, por causa de uma denúncia de assédio sexual e moral de uma funcionária da entidade, o técnico Tite evitou se manifestar abertamente.   Treinador e dirigente tiveram desentendimentos recentes por causa do próprio escândalo e também da realização da Copa América no Brasil a partir de domingo - técnico e atletas têm críticas ao evento, mas vão participar o torneio. "Eu compreendo a pergunta. Sabemos a dimensão que tem, a gravidade do caso, temos consciência disso. Agora existe um Comitê de Ética da CBF que toma as devidas providências. Não é da nossa alçada", disse o treinador. 

 Tite também afirmou que não foi ameçado de demissão pelo então presidente da CBF. As declarações foram dadas em entrevista coletiva nesta segunda-feira, em Porto Alegre, antes da viagem para o Paraguai. Nesta terça-feira, a seleção enfrenta os donos da casa pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. O Brasil lidera com cinco vitórias nas cinco primeiras rodadas da competição. 

Embora tenham decidido disputar a Copa América, torneio que começa no domingo, os jogadores da seleção vão divulgar um manifesto com críticas ao torneio. A Copa América começa a ser disputada no domingo com a partida da seleção brasileira diante da Venezuela no estádio Mané Garrincha, em Brasília. Tite reafirmou que o posicionamento da comissão técnica e dos jogadores será dado após a partida diante do Paraguai. "O tempo das manifestações é o nosso tempo, o que nós entendemos ser correto, quando falo nós, é comissão técnica e atletas. Temos orgulho muito grande da conduta que temos, do respeito que temos a esse momento e ao nosso. Queremos jogar bola e fazer um grande jogo contra o Paraguai", disse o treinador. 

"Estamos na Copa do Mundo. Eliminatórias já é um processo de Copa do Mundo, muitas vezes as pessoas não se dão conta disso. Para nós, nesse momento, isso (afastamento do presidente da CBF) não tem essa prioridade. Depois sim, reitero o que o Casemiro disse, há respeito e no nosso tempo vamos nos manifestar".

Tite também se esquivou de comentar a hashtag #ForaTite, movimento pedindo a saída do técnico da seleção brasileira que ganhou espaço nas redes sociais. Dezenas de internautas criticaram a posição do treinador, na coletiva de imprensa na Granja Comary. Internautas chamaram o treinador de "esquerdopata" e "lacrador" por conta de um possível boicote do técnico, sua comissão e até mesmo os jogadores à Copa América 2020. Em sua maioria, os internautas que usam a hashtag #ForaTite são favoráveis à realização da Copa América em território nacional e apoiam o presidente Jair Bolsonaro. 

"Vou falar sobre o meu juízo e o que a minha escala de valores dizem. Tenho muito respeito ao meu trabalho, à seleção brasileira, a esse momento da Copa do Mundo e de eliminatórias. E a melhor maneira de retribuir o carinho das pessoas que me apoiam e ao respeito do que estão contra, é fazer o meu melhor trabalho possível. É nisso que vou me ater".

Questionado se o treinador da seleção deveria estar alinhado ao presidente da República, Tite novamente se esquivou. 'Técnico de futebol tem de estar alinhado com o futebol', diz Tite. 

Adversário duro

No último treino antes da viagem para Assunção, Tite indicou que pode realizar mudanças no ataque em relação ao time que começou a vitória sobre o Equador, na última sexta, por 2 a 0. Gabigol pode perder a titularidade para Gabriel Jesus. O atacante do Manchester City foi escalado entre os titulares, jogando aberto pelo lado direito do ataque, ao lado de Neymar, centralizado, e Richarlison aberto pela esquerdo. Já o camisa 9 do Flamengo treinou ao lado dos atacantes reservas, Everton Cebolinha e Vinicius Júnior.

Durante a entrevista coletiva, Tite comentou as características dos atacantes. “O Gabriel Barbosa te dá uma flutuação e infiltração de espaço para finalização. O Jesus produziu muito pelo lado, foi um dos destaques nossos na Copa América. Também ataca o espaço, muita força. Richarlison também dá isso. O Firmino é um 9 que exerce o papel de 10. Esses jogadores vão te dando essas possibilidades de utilização dentro de uma determinada forma”, afirmou o treinador.

Desde 1985, o Brasil não consegue superar o Paraguai fora de casa. Nesta edição, os paraguaios estão em quarto lugar na tabela, com sete pontos (uma vitória e quatro empates). “Enfrentamos o Paraguai uma vez na Copa América passada. É uma equipe que marca muito agressivamente e que te desgasta muito na marcação. E o time tem qualidade ofensiva, com jogadores em grande fase. Lá dentro é muito difícil. Faz 35 anos que não ganhamos lá, mas vamos fazer de tudo para trazer essa vitória”, afirmou o auxiliar Cléber Xavier.

Mesmo com 100% de aproveitamento no torneio, cinco vitórias em cinco jogos, Tite desconversou quando questionado se a seleção é o time a ser batido na América do Sul. “Com tão pouco tempo de jogo nessa pandemia, todos nós merecemos o reconhecimento pela campanha, mas em especial os atletas. Temos modificado bastante a equipe, mas ela tem conseguido um patamar de regularidade, o que é muito difícil”, afirmou.


 

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