Marcelo Sayão/ EFE
Marcelo Sayão/ EFE

Tite rejeita jogar pressão sobre as costas de Neymar: 'É desumano'

Técnico da seleção compara situação do brasileiro com a de Cristiano Ronaldo, na Euro

Almir Leite, Estadão Conteúdo

20 de julho de 2016 | 17h00

É evidente que Neymar continuará a ser o principal jogador da seleção brasileira. Mas os tempos em que tinha a função adicional de salvador da pátria ficaram no passado. O técnico Tite quer tê-lo como protagonista, mas não jogará em suas costas a responsabilidade pelos bons resultados.

"É desumano colocar responsabilidade em um atleta. Acredito que o coletivo potencializa o individual", disse Tite na tarde desta quarta-feira, em entrevista na Granja Comary, em Teresópolis (RJ). O treinador está na concentração acompanhando o dia de atividades da seleção olímpica, e também conversou com o técnico Rogério Micale e com os atletas, entre eles Neymar.

O treinador, que nesta quarta-feira completa um mês no cargo na seleção principal, deu como exemplo o que ocorreu com Cristiano Ronaldo durante a Eurocopa. "A saída do Cristiano Ronaldo não tirou a possibilidade de Portugal conquistar", lembrou. "É desumano colocar num atleta que tudo de bom seja dele."

A posição de Tite vem ao encontro ao pensamento de Micale, que na terça-feira disse querer ser dependente de Neymar, que o talento individual é importantíssimo, mas que a equipe precisa ter uma dinâmica e uma estrutura.

Para Tite, na seleção as responsabilidades precisam ser bem definidas, mas também divididas. "A responsabilidade é do técnico, dos outros integrantes que têm de ser protagonistas em algumas circunstâncias, senão é uma situação desumana apontando que ele é o cara", disse o treinador. "Em alguns momentos será a individualidade (a sobressair), e pode até ser do Neymar, mas terá de ser de outros também."

O treinador e o coordenador Edu Gaspar almoçaram com os jogadores. Tite também conversou com Neymar. "Ele falou do Matheus (Bachi, filho do treinador) que acompanhou no Barcelona, eu desejei felicidades, como ao Gabriel, ao Prass, aos outros todos."

A comissão técnica também apresentou um balanço do primeiro mês de trabalho. Foram assistidos 16 jogos do Campeonato Brasileiro in loco e a comissão também observou 10 jogos da seleção do Equador (próximo adversário da seleção principal, pelas Eliminatórias, em 1º de setembro) e 12 da Colômbia, rival de 6 de setembro.

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