Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Tite se esquiva de pergunta e evita polêmica envolvendo dirigentes da CBF

Treinador não quis falar sobre manobra eleitoral feita por Del Nero para colocar Rogério Caboclo na presidência da CBF

Marcio Dolzan, RIO, Estadão Conteúdo

12 Março 2018 | 13h38

Uma cena simples, mas representativa dos bastidores políticos da CBF, aconteceu momentos antes de Tite anunciar a lista de convocados para os amistosos diante de Rússia e Alemanha, nesta segunda-feira. A comissão técnica entrou no auditório da sede da entidade seguindo o coronel Antônio Carlos Nunes, presidente em exercício da entidade, e Rogério Caboclo, diretor executivo de gestão e futuro presidente - os dois, nessa ordem, puxaram a fila. Em comum à dupla, está o fato de terem chegado ao cargo mais importante da CBF graças a articulações do presidente afastado, Marco Polo Del Nero.

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Ex-mandatário da Federação Paraense de Futebol, o coronel Nunes chegou à presidência graças a uma manobra eleitoral de 2015. Já Caboclo, executivo que de fato toca as contas da CBF, será aclamado presidente para o quadriênio que se iniciará em 2019 após Del Nero, mesmo afastado, conseguir enterrar a ínfima oposição que havia na CBF. Uma das únicas vozes dissonantes era a do presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Novelletto. E ele foi nomeado para chefiar a delegação para os dois amistosos deste mês.

As manobras políticas foram assunto na coletiva do técnico Tite, que evitou a todo custo gerar um mal-estar com os mandatários da CBF, sentados dois metros à sua frente. "Eu não gostaria de receber essa pergunta, porque acho que o momento não é propício", disse Tite. "Se teve o compromisso e nos foi dado por toda a direção de desenvolver o trabalho na seleção brasileira, ele tem que ser com os elogios e críticas pertinentes a ele."

Sempre ressaltando a questão ética no trabalho, o técnico demonstrou algum desconforto sobre o tema. "Claro que outros fatores (extracampo) podem ser abordados, mas em outro momento, de outra forma, com outras pessoas", afirmou Tite.

Sobre Francisco Novelletto ser nomeado chefe de delegação, o treinador pontuou que a função "não é da nossa alçada", referindo-se à comissão técnica. "Eu passei toda a lista de convocação antes ao nosso presidente, da mesma forma como a gente colocou, que seria assim nosso trabalho. Há um respeito, uma ordem de hierarquia, assim como de autonomia de trabalho."

Por fim, Tite demonstrou que, se dependesse dele, o assunto não deveria ter sido abordado na coletiva que se seguiu à convocação. "Tem tanta coisa legal pra gente falar de seleção, de preparação importante... Não é fórum pra gente falar (sobre isso)", declarou.

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