Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Tite se recupera de erros na Rússia, vence Copa América e ganha fôlego na seleção

Um ano e um dia após ser eliminado pela Bélgica, técnico consegue dar a volta por cima com o título continental

Ciro Campos, enviado especial ao Rio de Janeiro, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2019 | 19h06

Um ano e um dia depois de ser eliminado pela Bélgica nas quartas de final da Copa do Mundo da Rússia o técnico Tite conseguiu amenizar a frustração que durante muito tempo o atormentou. A conquista em casa da Copa América, garantida neste domingo sobre o Peru, faz o treinador recuperar parte do prestígio perdido pela derrota no ano passado, assim como lhe dá mais fôlego para continuar no cargo.

O próprio treinador admite ter encarado uma dura decepção e vivido um grande aprendizado com a Copa do Mundo. Foram somente dois anos no cargo até chegar ao torneio da Rússia, pouco tempo para vivenciar dificuldades e decepções. Como o Brasil sob o comando dele não perdeu nas Eliminatórias e garantiu vaga por antecedência, Tite acabou por sofrer na pele a pressão só no momento mais importante, na Copa.

"Sobre a Copa, aprendi ser preciso fazer trocas mais rápidas de atletas e mostrar a eles que é normal sair do time, porque é um elenco com muita qualidade e os reservas podem manter o alto nível", disse o treinador. Tite aplicou esse ensinamento ainda durante a fase de grupos da Copa América, ao tirar David Neres e Richarlison da formação titular e apostar em dois jogadores que se tornaram decisivos: Gabriel Jesus e Éverton.

Entre a Copa da Rússia e a conquista no Maracanã, Tite encarou críticas da imprensa pelos erros cometidos no Mundial. A falta de criatividade e a insistência em jogadores em baixa fez o treinador até mesmo perder apoio do público. Se antes ele tinha o nome entoado pela torcida nos estádios, chegou a ter o anúncio vaiado em alguns momentos, inclusive durante a própria Copa América.

O Brasil viveu um período irregular depois da Copa, ao promover muitas experiências em novas convocações e ter atuações ruins. Em março, empatou com o fraco Panamá e sofreu para bater de virada a República Checa, em dois jogos sem Neymar. A desconfiança aumentou, ainda mais porque o atacante ficaria fora também da Copa América e obrigaria o técnico a se mostrar um novo Tite ao longo da competição.

O treinador em um primeiro momento se mostrou inseguro. Após empatar sem gols com a Venezuela, em Salvador, admitiu ter a dificuldade de substituir ao longo da partida jogadores de posições diferentes. Logo depois, contra o Paraguai, nas quartas de final, o treinador conseguiu ser ousado e terminou o jogo com quatro atacantes em campo e mais dois meias ofensivos.

A comemoração efusiva da torcida pelo título no Maracanã mostra o quanto Tite está novamente com prestígio. A taça continental é um escudo importante para o treinador continuar no cargo. Questionado sobre a possível saída na véspera da final, o treinador mostrou o quanto está disposto a continuar, "Até 2022 é o contrato, após a Copa do Mundo. É o contrato que o Tite manteve com o Rogério (Caboclo, presidente da CBF)", afirmou.

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