Pedro Martins/MoWa Press
Tite recuperou a confiança na seleção, é admirado pelo torcedor e com isso se tornou ‘vendedor’ eficiente. Pedro Martins/MoWa Press

Tite, treinador e garoto-propaganda na seleção brasileira

Técnico aproveita a notoriedade para faturar com publicidade, mas define regras e não abre mão de priorizar o futebol

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2018 | 07h00

Tite poderá ser observado nesta segunda-feira em duas frentes distintas: em campo, comandará no CT do Spartak Moscou o primeiro treino da seleção brasileira para o amistoso de sexta-feira com a Rússia; na tela da TV, vai aparecer dando uma preleção para todos os brasileiros. É a estreia do treinador como garoto-propaganda do Itaú.

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A campanha do banco é a terceira protagonizada por Tite, consequência do cargo, do sucesso da seleção e da proximidade da Copa da Rússia. As outras são da Samsung – desde agosto ano passado – e da Cimed, que a exemplo do Itaú também são patrocinadores da seleção. Em 2017, ele fez propaganda da Uninassau, da área de educação, sua primeira campanha.

Como seus antecessores, o treinador aproveita a onda para “ganhar um extra”. Mas, ele se impôs, e impôs, algumas regras para fazer as campanhas, de acordo com pessoas que acompanharam o processo.

Entre elas estão não fazer propaganda de bebida alcoólica, só gravar, fotografar e fazer outras ações publicitárias em finais de semana para não interferir no seu dia a dia na CBF (quando está no Rio, dá expediente na sede da entidade de segunda a sexta das 9h às 17h) e limitar a três as campanhas – em 2014, Felipão fez seis.

“Ele começou a planejar (a participação em propagandas) no ano passado. Mas não queria ficar sobrecarregado e misturar as coisas. Por isso decidiu, por exemplo, encerrar as gravações bem antes do início da Copa”, contou um interlocutor do treinador. Tite não deverá gravar mais nada a partir de agora.

Uma das condições colocadas por ele foi a de poder alterar o roteiro das peças publicitárias, caso algum texto não “refletisse” o Tite real. A CBF não colocou restrições a esse trabalho paralelo do técnico. Ele iria consultar a entidade caso fosse procurado por algum concorrente dos patrocinadores da seleção, o que não ocorreu.

Invocando cláusula de confidencialidade, nenhuma das partes revela o valor do “cachê” do treinador. Fontes do mercado publicitário dizem que, considerando fatores como credibilidade, imagem positiva e a época, cada campanha pode render pelo menos algo em torno de R$ 2 milhões. Neymar, a estrela maior do futebol brasileiro, fatura R$ 5 milhões por campanha com veiculação nacional.

Credibilidade

As empresas, obviamente, têm a contratação de Tite como um gol de placa e destacam seu carisma e a imagem de seriedade. “Somos patrocinadores da seleção brasileira desde 2016 e buscávamos um embaixador que pudesse assinar junto com seleção em ano de Copa”, disse Hélio Melo, diretor de marketing da Cimed. “Entendemos que o Tite era o nome de maior credibilidade.”

A Samsung considerou o poder de liderança e a determinação do treinador características que “casam” com a filosofia da empresa. “O Tite foi escolhido porque tem atributos que estão alinhados com a marca”, explica Andréa Mello, diretora de marketing corporativo.

Ambos os executivos dizem que poderão renovar com Tite independentemente do resultado do Brasil na Copa. Mas todos os contratos terminam ao final do Mundial.

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Seleção brasileira de 82 é umas das paixões de Tite

Técnico do Brasil admite que não teria espaço entre aqueles craques, mas revela curiosidade em atuar com eles

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2018 | 07h00

Quando se trata de seleções brasileiras do passado, Tite, o técnico, gostaria de ter dirigido o time tricampeão mundial em 1970. Tite, o jogador, queria ter integrado a equipe que encantou o mundo em 1982.

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Ele explica por quê: “Eu queria jogar com aquelas feras de 82, para ver se acompanhava o raciocínio deles. Se conseguisse, era porque eu era bom, pelo menos de cabeça, inteligência.”

Tite reconhece que como atleta não teria lugar naquele time. “Eu não tinha força, a habilidade, a mobilidade de um grande atleta. Mas eu queria ver se acompanhava a velocidade de raciocínio de Zico, Falcão, Cerezo e de Sócrates.”

Cerezo não lembra de ter visto Tite jogar (o treinador da seleção encerrou a carreira aos 28 anos, por causa de lesões nos joelhos), mas dá a entender que ele não teria lugar naquela seleção de Telê Santana. “Seleção é momento e naquele tempo estavam lá os melhores”, disse.

Batista, que também fez parte daquela seleção e era volante como Tite, é mais complacente. Ele acredita que, intelectualmente, o hoje treinador da seleção poderia acompanhar aquela turma de 1982. “Percepção e inteligência contam muito no futebol. E Tite tem essas características.”

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