Mauro Pimentel/ AFP
Mauro Pimentel/ AFP

Tite vê seleção blindada de crise política na CBF: 'Deixo isto à margem'

Treinador diz ver equilíbrio na lista de 23 convocados, divulgada nesta segunda, e prometeu cobranças para ter um time 'exemplo de conduta'

Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

14 Maio 2018 | 21h50

O técnico da seleção brasileira, Tite, afirmou nesta segunda que vê o time blindado da crise política que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) está enfrentando. Os três últimos presidentes da entidades são suspeitos de corrupção - Marco Polo Del Nero foi banido do futebol pela Fifa e José Maria Marin está preso nos Estados Unidos.

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"A grande relação de união que o esporte te dá tem a ver com educação", afirmou Tite, em entrevista à TV Globo. "Ela estabelce princípios que são importantes, que são da qualidade, não do jeitinho, mas do ser mais competente e melhor no enfrentamento. De vencer e ser leal, de uma série de outros atributos ligados mais à educação. A parte política, não sou nenhum ingênuo, eu sei que acontece. Mas quero deixá-la à margem e focar naquilo que podemos fazer de melhor. E tenho conseguido isso."

Tite revelou que não vinha conseguindo dormir direito até a convocação final para a Copa do Mundo, anunciada nesta segunda na sede da CBF, mas que está satisfeito com a lista de 23 jogadores. Para ele, equilíbrio é a palavra que define o elenco chamado para o Mundial.

"A expectativa era alta. Sou um ser-humano e sei que a responsabilidade é grande. Foram muitas dúvidas. Mas as decisões dependem do modelo e da forma de atuar que eu acredito. Por vezes, é um momento técnico, mas também é solidez na campanha", analisou Tite. "Eu quero desafiar estes atletas. Não tenho como controlar o resultado dos jogos. Mas controle da qualidade e do desempenho nós temos sim."

O treinador se negou a falar sobre uma escalação fechada da seleção para o Mundial. Adiantou que vai manter o rodízio de capitães e que Gabriel Jesus será o próximo. E ainda garantiu que vai cobrar bom desempenho e que seus atletas joguem com confiança. "A forma como jogamos nos deixa confiantes. A confiança se perde na medida em que os resultados não vêm. Sem confiança e sem um bom ambiente, não dá para produzir nosso melhor."

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O comandante ainda se comprometeu em levar a campo uma seleção "para ser exemplo de conduta e competitividade", exaltou a importância de Neymar, mas fará cobranças. "Não posso prometer o título, mas assumo o compromisso de desafiar os atletas desse nível para serem exemplos de conduta e competitividade, jogarem com alegria e satisfação. O Neymar é diferente, imprevisível, que acha soluções, mas ele tem a noção exata de que é uma equipe toda, e que o que serve para ele, serve para todos."

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