Evaristo Sá/AFP
Evaristo Sá/AFP

‘Titemania’ toma conta do Brasil

Treinador resgata o orgulho dos brasileiros pela seleção com bom futebol e cinco vitórias consecutivas

Marcio Dolzan, enviado especial a Belo Horizonte, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2016 | 07h00

No cargo há cinco meses, Tite conseguiu algo raro para técnicos no futebol brasileiro: ter o apoio (quase) irrestrito dos torcedores. Na quinta-feira, quando teve seu nome anunciado no sistema de som do Mineirão antes da partida diante da Argentina, ele foi tão aplaudido quanto Neymar, principal estrela brasileira. Ainda durante o jogo, a torcida cantou um “olê, olê, olê, Tite, Tite”. Na sexta, foi um dos mais celebrados pela torcida que ficou de plantão na porta do hotel da seleção. Tirou muitas fotos e ouviu que é “o melhor treinador do Brasil” mais de uma vez.

Essa “Titemania”, como muitos vem definindo o momento pelo qual passa a seleção e seu treinador, é reflexo da recuperação de um time que estava desacreditado. Em dois anos, teve 7 a 1 numa Copa do Mundo em casa, teve eliminação precoce em duas Copas Américas seguidas e teve o Brasil figurando fora da zona de classificação para um Mundial, algo que seria inédito na história do futebol. Sem vitórias, sem empatia e com a CBF envolvida em polêmicas a todo momento, a seleção via a sua torcida se afastar.

Bastaram cinco vitórias seguidas e algumas apresentações de alto nível para o entusiasmo do torcedor reaparecer. E é para Tite que grassa a maior parte dos agradecimentos.

Zagueiro da seleção nas Copas de 1986 e 1990, Mauro Galvão é direto. “Acho que o Tite demorou a assumir a seleção, em uma daquelas coisas que só acontecem por aqui. O melhor treinador do Brasil precisa treinar a seleção”, comenta.

“O que era diferente era o que acontecia antes, com jogos abaixo do nível, o Brasil tomando sete, atuações ruins, jogo confuso, jogadores sendo chamados que a gente não entendia como. Eram várias situações muito estranhas”, avalia Galvão. “Hoje dá gosto de ver o Brasil.”

Tricampeão mundial com a seleção de 1970, Clodoaldo analisa da mesma forma. “Além da questão técnica, se percebe que a seleção melhorou muito na questão emocional”, diz o ex-volante. “Antes das vitórias era um time que o torcedor brasileiro nem acreditava. Hoje é diferente. O próprio emocional nosso, do torcedor, está diferente.”

Clodoaldo considera que Tite tem papel fundamental nessa nova fase. “A torcida já cobrava desde a época do Dunga. Eu trabalhei lá um período (foi auxiliar técnico pontual da seleção em maio de 2015) e até comentei com o Gilmar Rinaldi (ex-coordenador) que a gente precisava de uma seleção mais com cara de Brasil. Isso está acontecendo agora. O torcedor está entusiasmado, acreditando muito no trabalho do treinador e na capacidade do grupo.”

Meia da seleção na Copa de 1974, Ademir da Guia resume o sucesso de Tite perante o público. “Torcedor conhece futebol. Não dá para enganar. Se a equipe está bem, a torcida vai apoiar e ter confiança”, pondera. “O Tite foi a melhor escolha, e ele está provando que merece. Isso é o que o mais importa.”

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