Lucas Figueiredo | MoWA Press
Lucas Figueiredo | MoWA Press

Titular da zaga, Gil vê futebol da China com jogo competitivo

Ex-defensor do Corinthians diz que estilo na Ásia é ‘corrido’ e que estrangeiros estão atuando em nível alto

ALMIR LEITE E GONÇALO JUNIOR, ENVIADOS ESPECIAIS A LOS ANGELES

26 de maio de 2016 | 05h00

Nos primeiros treinos em Los Angeles, o técnico Dunga escalou a zaga com Miranda e Gil. Embora o grupo ainda não esteja completo, o treinador deve manter seus xerifes pelo menos para o amistoso contra o Panamá, domingo. Essa tendência leva a duas conclusões. A primeira é que Gil deve se firmar como titular da defesa já que Thiago Silva e David Luiz estão momentaneamente fora do baralho e Marquinhos ainda é inexperiente. A segunda é que o treinador definitivamente vai contar com os ‘chineses’. Renato Augusto é o outro que atua no gigante asiático e também tem chances de jogar.

Em entrevista exclusiva ao Estado, Gil garante que o treinador pode confiar, pois o futebol chinês não é tão fraco como se imagina. Ele reconhece as diferenças entre o futebol brasileiro – mais cadenciado e técnico – e o chinês – mais corrido –, mas não vê falta de competitividade na Ásia.

“O futebol da Itália é diferente da Espanha, que é diferente da França, que é diferente do Brasil, e por aí vai. Na verdade os estilos são diferentes, mas o jogo, na prática, é o mesmo. A competitividade na China também é grande, principalmente na Liga da Ásia, que envolve os melhores do continente”, diz o ex-corintiano.

Na visão do beque, também é preciso destacar o intercâmbio cultural. “Todos os clubes possuem estrangeiros e vocês têm visto que o nível deles aqui é alto, já que são destaques em seus países”, completa.

Gil já soma 20 jogos na temporada, um pelo Corinthians, um pela seleção e outros 18 pelo Shandong Luneng, todos como titular. “Já me sinto adaptado ao futebol chinês. A comissão técnica brasileira, os outros brasileiros e a estrutura do clube ajudam muito. Minha família também está na China, então com eles fico mais tranquilo ainda para só pensar em jogar futebol”, diz o defensor de 28 anos.

A comissão técnica ainda não apresentou aos jogadores qual será a estratégia principal para a Copa América: escalar os mais experientes, pensando no título, ou dar espaços com os jogadores com idade olímpica, dando experiência para os Jogos do Rio. Dunga afirma que a questão física será importante nessa balança. Além de Miranda e Gil, também foram convocados Marquinhos e Rodrigo Caio, ambos candidatos à vaga olímpica.

Miranda é titular absoluto e o capitão da seleção da Copa América. Gil quer se firmar após as oscilações de David Luiz e o “castigo” imposto a Thiago Silva. “Muitos atletas olímpicos já vão poder utilizar esse entrosamento de agora na Olimpíada. Apesar de jovens, todos já são experientes em seus clubes e com passagens por seleções de base e alguns na principal. Essa mescla de jogadores é positiva”, avalia.

Embora o Brasil ainda esteja no início da preparação, os defensores começam a mirar os principais desafios pela frente. O amistoso contra o Panamá, domingo, e o jogo contra o Haiti, pela segunda rodada, não devem representar propriamente um teste para a defesa. O foco está nos jogos contra o Equador, vice-líder das Eliminatórias, e o Peru, que causou dificuldades ao Brasil na última Copa América. Entre os dois, o Peru tem uma motivação especial para Gil, que vai poder reencontrar o amigo Paolo Guerrero. “A Copa América é uma competição de alto nível e já temos visto as dificuldades nas Eliminatórias. O Brasil sempre tem que entrar pensando em título. Reencontrar o Guerrero será legal. É um grande amigo e que pudemos jogar juntos no Corinthians. Já tivemos uma oportunidade de jogar contra também, pelo Brasil e quando ele foi para o Flamengo”, relembra.

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