Wilton Junior/ Estadão Conteúdo
Wilton Junior/ Estadão Conteúdo

Título em meio à pandemia teve festa e aglomeração no Maracanã

Decisão da Copa Libertadores foi acompanhada por cerca de cinco mil pessoas no estádio

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2021 | 19h45

Quando a Conmebol decidiu, ainda em 2019, que a final da Libertadores seria no Maracanã, vislumbrou-se um jogo histórico no mais famoso estádio brasileiro. Quase 80 mil torcedores no palco de duas finais de Copa do Mundo seria a moldura perfeita para uma decisão em jogo único. Veio então a pandemia, e a mais importante competição das Américas teve de ser jogada quase que em sua totalidade com os portões fechados. Menos neste sábado, no jogo que deu o bi ao Palmeiras.

Ainda que, segundo a Conmebol, só assistiria ao jogo do estádio quem apresentasse previamente um exame com resultado negativo para o coronavírus, a intensa aglomeração de torcedores no Maracanã depôs contra tudo o que se prega como combate à transmissão do vírus que já provocou a morte de 222 mil pessoas no Brasil.

Não foi preciso nem começar o jogo para se mostrar que a promessa de que seriam cumpridos todos os protocolos de segurança ficaria só no discurso. Bem antes de a bola rolar, tanto torcedores de Santos quanto de Palmeiras pulavam abraçados, faziam selfies e conversavam animadamente entre eles, a poucos metros do campo. 

Quando a bola rolou, então, a emoção e a ansidedade esperadas em uma decisão de campeonato fizeram com que os torcedores presentes esquecessem de qualquer preocupação com a pandemia. Não houve distanciamento entre os assentos, e mesmo que o banco ao lado ficasse vago, havia pessoas logo à frente ou atrás.

A aglomeração poderia ter sido evitada com medidas simples. Apesar de o Maracanã ter capacidade para 78 mil pessoas, torcedores - ou "convidados", como diz a Conmebol - foram todos colocados em um único setor do estádio, logo atrás dos reservados de Santos e Palmeiras. Todo o restante do estádio ficou fechado, com parte das arquibancadas servindo de espaço para a colocação de grandes faixas de publicidade.

A falta de preocupação com as medidas sanitárias ficou ainda mais evidente nos dois lances capitais da partida, já no fim de jogo. O primeiro foi quando o técnico Cuca foi expulso do reservado, aos 49 do segundo tempo, e decidiu continuar orientando o time de trás do banco. Assim, seguiu para a arquibancada em meio aos torcedores - alguns sem máscara -, que lhe deram tapinhas de apoio nas costas e nos braços.

O segundo aconteceu aos 53, quando Breno Lopes subiu livre para, de cabeça, marcar o gol do título. Na comemoração, tirou a camisa e saiu em disparada para, literalmente, se jogar nos braços da torcida palmeirense.

Tudo isso acabou fazendo com que a final da Libertadores, que oficialmente foi divulgada como um jogo com portões fechados, fosse de fato uma partida de futebol como nos velhos tempos. Teve centenas de torcedores uniformizados soltando seus gritos de apoio ou de apupo. Teve aglomeração. Teve festa. No jogo que deu o bi da América para o Palmeiras sobraram gritos ensandecidos. Pena que faltaram máscaras.

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