Alex Silva / Estadão Conteúdo
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Título paulista foi para quem o quis

Justo, justíssimo o título do São Paulo, uma taça que fica com quem a desejou

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2021 | 19h51

O espetáculo lamentável do 0 a 0 na noite de quinta-feira no Allianz Parque dificilmente poderia ser repetido. Palmeiras e São Paulo, principalmente o campeão da Libertadores, entraram em campo para o primeiro jogo decisivo do Campeonato Paulista para não perder. Não foi muito diferente a postura palmeirense no domingo, quando os times se reencontraram no Morumbi. Os tricolores, mais uma vez, buscaram mais, tentaram mais, foram mais agressivos, desejaram o triunfo como quiseram ganhar o Estadual 16 anos depois.

Mas fica a marca da falta de conexão com a vitória como objetivo, algo tolerado por grande parte da mídia e da torcida. Em nome de supostas estratégias, muitos parecem ter licença para matar o futebol com propostas de jogo pobres, de quem não busca o gol, o triunfo. Essa lógica que impera há tempos no futebol praticado neste País tem sido um verdadeira âncora que impede o desenvolvimento técnico e tático do jogo no Brasil. Isso ocorre com muitas equipes comandadas por treinadores brasileiros. E até estrangeiros, como se viu na oportunidade.

O São Paulo foi ao Morumbi para o jogo decisivo com problemas de antemão. Daniel Alves, que lesionou o joelho direito na quinta-feira, e Martín Benítez, que sofreu um estiramento na coxa esquerda na mesma peleja. Baixas importantes que reduziram o poder de ação tricolor.

Mas o técnico argentino Hernán Crespo bem conhece seu compatriota. Deve saber bem desde quando Benítez chegou ao Morumbi que em muitas ocasiões não poderá com ele contar. As contusões e dificuldades físico-musculares marcam a carreira do habilidoso meia.

No último Campeonato Brasileiro, ainda a serviço do Vasco, ele esteve em campo 24 vezes, 21 como titular em 38 rodadas. Em sua última temporada na Argentina, bem acompanhada pelo seu atual técnico, então no Banfield, atuou em 12 das 23 partidas do seu ex-clube, o Independiente.

Portanto, ninguém no São Paulo poderia alegar surpresa pela ausência do argentino diante do Palmeiras. Trata-se de um atleta com o qual não se pode contar sempre por seu histórico no departamento médico. Mas a ausência de Daniel Alves foi baixa bem inesperada, pesada e que teve de ser superada.

Do lado alviverde, nenhum grande problema, pois os lesionados fazem parte de um grupo que não vinha sendo escalado prioritariamente por Abel Ferreira. O português não abre mão de seu jogo “abrasileirado”, marcado por rejeição à bola, marcação e velocidade.

No primeiro tempo já se observava o Palmeiras de sempre. Aliás, o que foi aquele chilique de seu treinador diante de Liziero, após disputa com Rony? O jogo rústico do time que o português treina tem, esse sim, parece bem conectado com seu comportamento irascível à beira do campo.

O gol aleatório de Luan em chute que desviou em Felipe Melo foi a “cara” do confronto, mas inseriu o mínimo de justiça no placar, pois desde o cotejo do Allianz Parque o time tricolor era o que mais tentava algo. O jogo rival baseado no erro do oponente era castigado.

Ao ampliar o placar na etapa final por intermédio de Luciano em jogada rápida que lembra as frequentemente tentadas pelo Palmeiras, o São Paulo usou um contraveneno. Justo, justíssimo o título tricolor, taça que fica com quem a desejou, não com quem, perto de vergonhosa precoce eliminação, a esnobou.

Ao final, depois do que se viu nos confrontos que decidiram o Campeonato Paulista 2021, fica a sensação de merecimento do campeão e de alívio para quem acompanhou: que bom que acabou.

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