Título reabilita Marinho e Paraíba

Superar o preconceito ou o trauma de estar em uma lista de dispensas. Dois "gigantes" da conquista do Grêmio, neste domingo, no Morumbi, tinham mais do que o título a comemorar. O meia Marcelinho Paraíba chegou ao Sul, há três meses, vindo do Olympique de Marselha, onde sofreu represálias pelo fato de ser negro. Já o zagueiro Marinho, foi praticamente exonerado do elenco. Encostado, quase foi negociado com a Portuguesa. Neste domingo, retribuíram a confiança depositada em seu futebol.Marinho abriu o caminho para a conquista e Marcelinho deu o golpe final. "Vinha cometendo muitos erros. Isso gerou uma desconfiança da diretoria, sobre o meu potencial," disse o zagueiro. "Queriam me mandar para a Portuguesa de qualquer jeito. Bati o pé, pedi um voto de confiança, para provar porque fui contratado. A resposta foi esta grande atuação," declarou, emocionado. O jogador chegou a chorar antes da partida, ao ler cartaz da esposa Viviane e da filha Letícia, dando apoio ao craque. "Vou comemorar até o Sul e depois, corro para os braços da minha família." Com humildade, o zagueiro procurava dividir os méritos com os companheiros. "O Zinho colaborou comigo. Cobrou o escanteio como havia pedido." Um fato curioso na carreira de Marinho é que, antes de ser contratado pelo Grêmio, conversou com dirigentes do Corinthians. "Fui apenas sondado, nada concreto," explicou.Com data marcada para chegar à Alemanha - apresenta-se dia 28 ao Hertha Berlim, onde assina contrato de 4 anos - Marcelinho Paraíba deu um "cala a boca" aos críticos. Em uma apresentação de gala, o meia-atacante, responsável pela armação das jogadas ofensivas, levou muito perigo com chutes de longa distância e provou ser o "carrasco" do Corinthians. "Esta apresentação foi para as pessoas que durante a semana me difamaram, dizendo que eu sou pipoqueiro," disparou.Autor do terceiro gol, homenageou sua cidade natal (Campina Grande-PB), com uma camisa com os dizeres: "Campina, a capital do forró." E, após acusar os franceses de racistas, promete alegrar a Alemanha. "Já estou com muitos CDs de forró na bagagem. Vou agitar a Europa," brincou. "Na mala também não vai faltar o feijão, é claro." A negociação de Marcelinho para a Alemanha, resolveu um grande problema do Grêmio. Os US$ 7 milhões que o clube vai receber, servirá para pagar os salários dos últimos três meses.

Agencia Estado,

17 de junho de 2001 | 19h50

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.