Ben Stansall/AFP
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Títulos, ídolos e contratações milionárias: era Abramovich elevou patamar do Chelsea a nível mundial

Com a venda do clube próxima, os quase 20 anos do magnata russo no comando do clube inglês marcaram a reconstrução financeira e esportiva do time de Londres, possibilitando voos para além da Inglaterra

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2022 | 15h50

A era do bilionário russo Roman Abramovich como dono do Chelsea está chegando ao fim. Devido aos conflitos entre Rússia e Ucrânia, o magnata se viu pressionado pelo parlamento inglês e a opinião pública, decidindo se desfazer do clube e colocá-lo à venda. O atual mandatário do clube londrino, avaliado em mais de R$ 26 bilhões, também afirmou que doará os lucros da operação para o "povo da Ucrânia".

Comprado por Abramovich em julho de 2003 por 140 milhões de libras (R$ 650 milhões na cotação da época), o Chelsea, até então um clube sem expressão mundial, atravessava uma de suas maiores crises financeiras. Desse valor de compra, 80 milhões equivaliam somente às dívidas. Ao longo desses quase 20 anos, o russo conseguiu elevar o patamar do clube de Londres a um nível nunca antes visto pela torcida, com diversos títulos e uma galeria de ídolos repleta de astros. 

Com Abramovich, o Chelsea conseguiu conquistar cinco vezes Campeonatos Inglês, além de múltiplas copas domésticas. A chegada de estrelas e jovens promessas também facilitou esse processo. Sem medir esforços, 1,5 bilhão de libras (R$ 10 bilhões) foram injetados para a contratação de jogadores, que auxiliariam as conquistas dos "blues". Nomes como Didier Drogba, Nicolas Anelka, John Terry, Frank Lampard, Petr Cech, William, David Luiz, Eden Hazard, entre tantos outros craques possibilitaram ao clube a alçar voos maiores na no velho continente. Com dois títulos em três finais de Liga dos Campeões, além do bi da Liga Europa, o Chelsea finalmente se colocou no patamar dos grandes da Europa e, finalmente, conseguiu expandir a sua marca e influência em uma escala mundial.

Abramovich também não se importou no valor desses reforços. Nos últimos anos, o russo concretizou o maior valor pago na contratação de um goleiro, Kepa Arrizabalaga, por 71 milhões de libras, recorde que permanece intacto. Também desembolsou 97,5 milhões de libras (R$ 666 milhões) no retorno do atacante belga Romelu Lukaku para essa temporada.

Máquina de moer técnicos

Por outro lado, apesar de obter as conquistas e os méritos esportivos, o comando técnico do Chelsea foi uma incerteza ao longo desses anos. Abramovich foi uma "máquina de moer técnicos" e, no total, 17 estiveram à beira do gramado no Stamford Bridge ao longo desses anos, como Carlo Ancelotti, Antonio Conte e Maurizio Sarri. Além disso, apenas José Mourinho, entre 2004 e 2007, conseguiu permanecer mais de dois anos no clube.

Finalmente, nessa temporada de 2021/22, quando aparentava que Abramovich havia encontrado o técnico ideal para o clube, o Chelsea pode voltar a ficar sem treinador. Thomas Tuchel, que chegou a Londres em 2021 e conquistou a Liga dos Campeões, Supercopa da Uefa e o Mundial de Clubes, não tem certeza do que irá acontecer no futuro.

"O Chelsea, do meu ponto de vista, é um lugar perfeito e adoro estar aqui. Espero continuar. Há incertezas, mas elas sempre existem quando você é treinador de futebol. Sou positivo e espero que tudo termine bem", afirmou o técnico.

Momentos finais da Era Abramovich, que ainda espera "poder visitar Stamford Bridge" para se "despedir de todos os torcedores", e não encerrar de forma melancólica os 20 melhores anos da história do clube.

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