TJD anula partida e manda repetir jogo

Uma decisão inédita do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) coloca o futebol goiano no centro de uma polêmica. O Tribunal anulou, um mês depois, a partida disputada entre Goiás 1 x 0 Vila Nova, a pedido do time perdedor, que alega erro de arbitragem. Acatada pelos auditores do TJD, a anulação foi confirmada por 3 votos a 2.O Vila diz que foi prejudicado pela arbitragem ao ter um gol anulado aos 33 minutos do primeiro tempo, quando o jogo estava 0x0. No lance da confusão o goleiro Harlei, do Goiás, subiu para cortar um cruzamento, mas esbarrou no atacante Mendes, não segurou a bola e caiu. O volante Tim aproveitou a sobra para marcar o gol, anulado pelo juiz André Luiz Castro, que está suspenso por 30 dias pela Comissão de Arbitragem."Também considero a decisão como absurda mas, cabe ao Goiás entrar com recurso ao Pleno, o que poderá provocar o fim da polêmica ou a realização de uma nova partida", comentou o presidente da Federação Goiana de Futebol (FGF), Wilson da Silveira, que hoje recebeu telefonemas de todo o País inclusive uma ligação do Japão para saber ser a informação era verídica. O presidente do Goiás, equipe que lidera o Campeonato, se mostrou irritado com o Tribunal: "Recorrer contra o quê e contra quem?", questiona Raimundo Queiroz, presidente do Goiás. "A decisão é absurda, na verdade é escandalosa para o futebol", criticou.Os dirigentes do Vila assim como os membros do STJ, que estão no centro da confusão, preferiram desligar seus celulares e se tornarem ?não-localizáveis? para não comentar o caso. Até o telefone do presidente do TJD, Alexandre Magno, ficou fora do gancho. O advogado do Goiás, João Bosco Luiz de Moraes, garantiu que tem prazo até sexta-feira e vai recorrer da decisão. Em princípio, e entre outras coisas, deverá argumentar que se houve erro do juiz André Luiz Castro, este já foi punido; e se o erro foi premeditado, como alega o Vila Nova, o árbitro deveria ter sido "banido" e não "punido"."O juiz não poderia ter anulado o gol porque antes mesmo da bola ser chutada por Tim, e entrar, havia marcado falta do Mendes no goleiro", garantiu Álvaro Morais, repórter de campo da Rádio Aliança, que estava atrás do gol no momento da confusão.A decisão se tornou polêmica mesmo entre torcedores fanáticos do Vila Nova. Como é o caso do professor universitário, Antonio Carlos dos Santos: "A decisão do Tribunal parece absurda mas foi o juiz quem errou em campo", defende ele. "No caso cabe reclamação do torcedor, baseado no Código do Torcedor, por ter sido lesado como consumidor", acredita.Segundo a FGF, se o jogo for anulado - com ou sem julgamento de recursos por parte do Goiás - será marcada uma nova data para o jogo.E as duas equipes não poderão cobrar ingressos: "Neste caso a entrada deve ser franqueada mas eu acredito que tudo isso vai dar em nada", diz Wilson da Silveira."Isto é na verdade um precedente absurdo e perigoso", diz Raimundo Queiroz, dirigente do Goiás. "Imagine o clássico São Paulo e Corinthians sendo anulado pelo TJD paulista a pedido do perdedor, que vergonha não vira o futebol brasileiro?" indagou.

Agencia Estado,

03 de março de 2004 | 17h28

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