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Tocando em frente

A crônica esportiva anda apaixonada pela história de superação do corintiano Jô

Marília Ruiz, O Estado de S. Paulo

20 de julho de 2017 | 03h00

Um roteiro básico de filme com final feliz é dividido em três atos com três pontos de virada. Isso, somado a um bom ator, garante, em tese, olhos marejados e sucesso de bilheteria. Adoramos pensar que a vida dos heróis reais também é recheada de “plot points” antes do “felizes para sempre”.

As biografias da maioria dos nossos jogadores têm muito do enredo clássico dos contos de fada. Nossos “Cinderelos” achariam chuteiras de cristal para fugir da pobreza rumo à vida feliz em estádios encantados.

A crônica esportiva anda apaixonada pela história de superação do corintiano Jô. Menino pobre, revelado pelo Corinthians, chegou ao auge, conquistou a América, disputou Copa do Mundo, perdeu-se e voltou para Itaquera como filho pródigo. Haja lencinho, haja lugar-comum, haja achismos para explicar em prosa romântica o bom momento de um dos artilheiros do Brasileiro (o número exato de gols e a classificação do Corinthians são menos importante aqui). A história é mais cintilante, porque une duas “ressurreições”: a dele e a do clube em 2017.

Admito que não me atraem as pregações definitivas sobre a volta por cima do “rei dos clássicos”. Não desvalorizo a ajuda da família nem a força da religião. Ao contrário. Prefiro, entretanto, acreditar na trajetória de amadurecimento do ser humano comum.

Quem nunca errou? Quem tem uma trajetória sem tropeços? Quem nunca tentou tantas vezes até se acertar (e errar de novo)? Jô chegou ao Corinthians acima do peso e emagreceu. Razoável para um atleta profissional. Voltou sem ritmo de jogo e trocou as férias por treinos. De novo, razoável. Começou a temporada como reserva e assumiu a camisa de titular dois meses depois. Previsível para quem já havia provado ter talento. Perdeu pênaltis e marcou gols. Normal. O que é anormal?

O atacante tem aproveitado a volta da fama nos últimos meses para distribuir sorrisos acompanhados de uma improvável serenidade – a ponto de pedir calma (!!!) à torcida inflamada após cada gol marcado. Mesmo depois daqueles marcados nos clássicos que fortaleceram sua confiança, abrilhantaram sua recuperação e o recolocaram sob os holofotes do sucesso.

Acho todo esse enredo admirável, mas não encantado. Acho feliz, muito feliz, a imagem de um atleta que devagar, sem pressa, parece alegre depois de tantas lágrimas (dele e de quem gosta dele). Acho forte quem admite fraquezas, valoriza suas manhas, enaltece a paz e não precisa ter certezas ou razão.

Psicologias baratas e autoajuda de vestiário não explicam o que uma música pode traduzir despretensiosamente. Em Tocando em Frente, Almir Sater canta que cada um de nós compõe a sua história e carrega o dom de ser capaz e feliz. Jô está seguindo a marcha e tocando em frente. Belo exemplo esse rapaz tem dado.

OBJETIVO

Seleção brasileira está nos planos do atacante

Depois de um primeiro semestre excelente, Jô espera voltar a ser convocado para o time de Tite. O técnico já anunciou que fará testes com mais “brasileiros” nas próximas listas para as Eliminatórias, já que o Brasil está classificado para a Copa da Rússia 2018. 

REALIDADE

Diego Souza, polivalente, continua como primeira opção

O jogador do Sport, que atua em outra posição sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, segue como favorito para ficar com a vaga de reserva de Gabriel Jesus na lista dos 23 que vão para a Copa do Mundo. Na última segunda-feira, o técnico da seleção brasileira, Tite, foi assisti-lo in loco na partida contra o Botafogo, no Engenhão. O Sport perdeu por 2 a 1.

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