Nilton Fukuda/Estadão
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Robson Morelli
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Todo dia tem futebol

Os jogos do Brasileirão estão espalhados por quase todos os dias e horários da semana

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2019 | 04h00

Você sabe quando e que horas o meu time joga? A pergunta me foi feita por um amigo na sexta-feira. Fosse em outra época, ela não caberia. Quarta à noite e domingo à tarde eram os horários nobres do futebol. Seu time jogaria em um horário ou no outro. A resposta, portanto, estava na ponta da língua. Não está mais. O futebol brasileiro foi espalhado pelos dias da semana. Mais recentemente, ele está sendo distribuído em vários horários do dia. Há jogos do Brasileirão 2019 em quase todos os dias da semana. 

Nesta terça, por exemplo, Palmeiras e Fluminense se enfrentam no Allianz Parque às 21h. Segunda-feira, uma hora mais cedo, às 20, a CBF sempre marca uma partida para fechar a rodada que começou no sábado. Quarta às 21h30 está mantido. É o jogo da Globo, sempre depois da novela. Geralmente é a partida mais importante da jornada, também a que vai dar mais audiência para a emissora dona dos direitos de transmissão. Mas é possível que no mesmo dia o torneio nacional tenha outros duelos mais cedo, marcados para as 19h15. Nesse caso, nas grandes metrópoles, o torcedor tem problema para chegar ao estádio por causa do trânsito na cidade, quase sempre caótico. Vez ou outra, há um confronto na quinta. Ou mais de um. Nesse caso, a bola pode começar a rolar às 19h15, mas também às 21h30. Sexta-feira à noite é o dia da Série B do Brasileiro, de modo a não ter atividade da Série A.

Sábado e domingo são os dias que mais recebem partidas. A novidade inaugurada pela CBF há algumas rodadas do Brasileirão é o futebol de sábado de manhã, às 11h. Quem “sextou” não consegue acordar para ver. Jogador detesta esse horário porque ele tem de adiantar os preparativos para a partida, como concentração e alimentação. Mas sabe que ficará livre depois. 

O torcedor tem comprado esse novo horário do futebol. São Paulo x Grêmio no Morumbi recebeu quase 50 mil pagantes. Teve a ver também com a fase da equipe paulista. Corinthians x Ceará beirou os 45 mil em Itaquera sábado. Esse horário das 11h da manhã também tem no domingo. Virou tradição.

O sábado ainda registra jogos às 17h, 19h e 21 horas. No domingão, o juiz apita também às 16h, 18h e 19 horas. Cada rodada do Campeonato Brasileiro tem dez jogos, todos distribuídos nesses novos horários. E há público.

Por trás dessas modificações do nosso futebol há alguns interesses, e posso apontar ao menos dois deles. As emissoras de TV, principalmente os canais fechados, querem aumentar suas opções de modo a fazer com que os torcedores comprem ou assinem seus canais. Elas espalham os jogos e fecham suas grades. Quem quiser ver seu time atuar vai ter de comprar a partida em si, com preço avulso, ou recorrer ao pacote completo do PPV – com direito ao streaming no celular. 

O futebol sempre foi uma fonte de dinheiro para as emissoras. O Jornal Nacional, principal noticiário da Globo, passou a anunciar em horário nobre, como notícia, os seus parceiros comerciais na modalidade, de modo a dimensionar a importância disso para o brasileiro. Então, espalhar o futebol em dias e horários diferentes na grade é também uma maneira de ganhar mais dinheiro.

O segundo motivo, da mesma forma, é comercial, mas um tanto mais nobre. Está diretamente ligado à possibilidade de formar novos torcedores, levar famílias e crianças aos estádios, fisgar um público que agora tem na agenda a possibilidade de horários mais adequados e flexíveis. No mínimo, com mais opções. 

Quarta e domingo continuam sendo os dias nobres do futebol, pelo menos no imaginário do torcedor. Mas esses dias estão longe de ser os únicos em que a bola rola. A propósito, meu amigo perdeu o jogo do time dele no sábado. O Palmeiras jogou às 21h. Ganhou do Goiás por 2 a 1.

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