Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

'Todo jogador da base será 100% do Corinthians’, diz Citadini

Oposicionista garante que empresários que não aceitarem a determinação podem levar o garoto embora

Entrevista com

Antônio Roque Citadini

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2015 | 01h41

Por que o senhor quer ser presidente do Corinthians?

Qualquer candidato à presidência do Corinthians precisa reunir duas condições. A primeira é ter um conjunto de ideias e propostas transformadoras. A segunda condição é você ter apoio de pessoas que concordem com a sua agenda de propostas e passem a defender a sua candidatura. Felizmente, tenho essas duas condições.


Qual será a sua prioridade?

No Corinthians tudo é imediato. No futebol não se pode improvisar, não dá para fazer brincadeira. Temos um técnico de grande qualidade, estamos disputando vários campeonatos e esperamos ir bem nessas competições. Vamos procurar resolver os problemas que temos desde a renovação de contrato até a compra de outros jogadores para que o time seja competitivo. Junto com esse time competitivo, temos de encontrar o equilíbrio financeiro, porque quando você contrata jogador e não pagar salário, prêmio, luva e fornecedor, você cria um ambiente em que é impossível vencer.

O Corinthians acabou de ganhar mais um título da Copa São Paulo só que aproveita muito pouco os jogadores da base. Como o senhor pretende mudar isso?

O problema é que na base todo jogador é fatiado com empresário. É um problema muito sério porque se o jogador for bom, quem vai ganhar é o empresário, e não o Corinthians. Se o jogador for ruim, não adiantou fazer parceria e manter o jogador. O melhor caminho para tudo isso é que todo jogador da base será 100% do Corinthians. Se o empresário não quiser, pode procurar outro clube.

O Corinthians não enfrenta uma situação financeira das melhores. O clube deve, por exemplo, direitos de imagens para alguns jogadores. É possível equilibrar as contas do clube?

O Corinthians gastou muito, e de forma errada. É preciso gastar menos e melhor. Essa enxurrada de contratações de jogadores e pagar comissão para compra, venda, empréstimo de atleta e até renovação de contrato foi sangrando a caixa do clube. O Corinthians precisa encontrar um caminho e gastar menos.

A partir de julho começam a vencer as prestações do financiamento da obra da arena em Itaquera. Será possível pagar esses custos apenas com as receitas geradas pelo estádio ou o dinheiro do caixa do clube também terá de ser usado?

A arena vai ser paga. O clube já sabia que não teria a receita da bilheteria por um certo período. Isso dá para discutir, analisar se foi uma boa saída ou não, mas a verdade é que o clube terá de pagar. Não acho que precisa de mais dinheiro do clube. O Corinthians acabou se endividando, mas limpou a barra do Estado de São Paulo, que ia ficar fora da Copa. A abertura seria em Brasília e não haveria jogo aqui. Corremos esse risco, mas aproveitamos a oportunidade. Vamos concluir o estádio porque ainda estão faltando algumas coisinhas e explorar de forma americana de tal forma que ele dê retorno. Muitas coisas podem ser exploradas por uma boa empresa americana.

Como o senhor pretende atender aos pedidos de luvas e salários do Guerrero para renovar o contrato em um cenário financeiro desfavorável ao clube?

Não tenho a ilusão de que o Corinthians tem dinheiro para isso. Acho que é possível renovar o contrato dele, mas vamos nos apertar. Ele disse bem quando falou que não pode ganhar menos do que jogadores que têm contratos milionários e não estão fazendo nada. Sei que ele está se referindo ao Pato, que foi um desastre financeiro e futebolístico para o Corinthians. Ele é uma jogada de marketing na qual as vítimas somos nós.

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