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Todo-poderoso

O Corinthians negou fogo no Paulista, na Libertadores e na Copa do Brasil. Em compensação, no Brasileiro justifica o apelido de Todo-poderoso. Já há algum tempo, botou o pé no acelerador e ninguém o segura. A liderança se mantém com relativa folga e só o Atlético-MG parece, no momento, ter fôlego suficiente para fazer sombra na corrida pelo título de 2015. 

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

31 de agosto de 2015 | 03h00

A demonstração corintiana de segurança e clareza de objetivos reapareceu com tudo na Arena Condá, na tarde de ontem, depois de perder-se no meio da semana, no clássico com o Santos em Itaquera. Em Santa Catarina, a rapaziada de Tite ignorou o retrospecto do rival como mandante - 7 vitórias, 2 empates e uma derrota - e com 15 minutos liquidava o desafio. Aquele foi o tempo para dois gols. 

Corinthians preciso, cirúrgico (para ficar em termo da moda futebolística) e conciso nos contragolpes desmontou veleidades da Chapecoense, com gols de Elias e Vagner Love. Pausa para respirar, foi o que se viu dali em diante. O roteiro pra lá de conhecido se repetiu: os alvinegros a tocarem a bola, à espera de brecha para aumentar.

Com direito a sustos, como igualmente é praxe. A Chapecoense apertou, diminuiu antes do intervalo, testou nervos da defesa e reflexos de Cássio, no segundo tempo e, no fim das contas... levou o terceiro, em pênalti cobrado por Jadson. Com um detalhe importante: o zagueiro Vilson cometeu a falta na área. Não teve interpretação dócil do árbitro; apenas a constatação de irregularidade. Sem polêmica.

O mérito esteve na regularidade, segredo do sucesso na passagem anterior de Tite, que de novo não inventou, recorreu ao básico e se deu bem. A presença de Ralf, atualmente só opção de banco, sustentou o meio-campo, com espaço para Renato Augusto, Jadson e Elias se arriscarem ao ataque. Malcom e Love não ficaram isolados à frente. 

Ainda há competição demais - 51 pontos a disputar. Não há como cravar que a taça já esteja envelopada, lacrada e endereçada. A tendência, pelo que ocorre no momento, é a de o Corinthians sustentar-se como o grande candidato.

Resta ver como se comportará na corrida de resistência, sem elenco variadíssimo. Não se pode fechar os olhos ao fato de que, com limitações, Tite obtém muito, com a participação notável de grupo dedicado ao que faz.

O menino e o vovô. Quem esteve no Allianz Parque (e não Allianz Arena, escrevi na crônica de ontem) divertiu-se e levou sustos com o jogo entre Palmeiras e Joinville. Mas sobretudo pôde admirar o desempenho de um jovem talento (Gabriel Jesus) e um veterano da bola (Marcelinho Paraíba). 

Ambos foram o destaque da vitória palestrina por 3 a 2. Gabriel pelos gols de abertura e encerramento dos trabalho. O quarentão Paraíba pelos gols que, ainda no etapa inicial, tiravam a desvantagem catarinense e garantiam o empate por 2 a 2. Muito bom acompanhar gerações a desfilar pelos gramados e a influir no resultado. 

O Palmeiras continua incorrigível na vocação para recuar depois que consegue ficar à frente no marcador. Fez 2 a 0, ensaiou goleada e levou sufoco. Marcelo Oliveira não conseguiu ainda arrumar substitutos confiáveis para Gabriel e Arouca, machucados e colunas do meiocampo. Também permanece em dúvida no comando do ataque. Começou com Lucas Barrios e terminou com Alecsandro - nenhum dos dois agradou. Resta o prêmio de ter voltado ao G-4, apesar da distância angustiante do líder Corinthians.

Lá vem o Santos. O campeão paulista flertou com o fiasco, ao perambular pelas últimas posições durante algum tempo. Dorival Júnior chegou para apagar incêndio e, sem alarde, transformou a equipe. O Santos avançou na Copa do Brasil e, mais importante, sobe forte no Brasileiro. O medo de antes deu lugar à serenidade, como se viu na vitória por 1 a 0 sobre o Cruzeiro, apagado e desmanchado bicampeão nacional. Ainda pode, e deve, melhorar mais.

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