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Tolerância zero para brigas no estádio

Está em marcha uma força-tarefa jamais vista entre os principais órgão públicos de São Paulo para combater a violência nos estádios de futebol, dentro e fora de campo.Numa reunião inédita, nesta sexta-feira, na sede da Federação Paulista de Futebol (FPF), representantes das principais policias da Capital, como o 2.º Batalhão de Choque, Polícia Civil, Divisão de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) e Ministério Público, comprometeram-se em deixar o diálogo de lado e agir com mãos-de-ferro em prol da organização do futebol.O pontapé inicial será dado no clássico de domingo entre Palmeiras e Corinthians, no Morumbi. O estádio do São Paulo é tido atualmente pela PM como um dos mais problemáticos em termos de segurança, sobretudo em suas imediações, pela falta de estrutura oferecida ao torcedor comum, como estacionamento e transporte público.O subprefeito do Butantã, Marcos Antônio de Albuquerque, presente na reunião da FPF, promete recrutar funcionários de outras regiões da cidade para fiscalizar a venda de bebidas alcoólicas em todas as barracas do Morumbi. "Tudo será apreendido", diz. "E seguiremos com essa fiscalização em outros estádios e jogos até que o vendedor ambulante deixe de negociar as bebidas."Um dos motivos que levaram a subprefeitura do Butantã a tomar tal decisão é o índice de reclamação de roubo de casas e danificação de carros em garagens registrado na região em dias de jogos.A FFP também não quer esperar para colocar a mão na massa. O presidente Marco Polo del Nero demonstrou falta de paciência, ou de esperança, com o que vem sendo feito em relação às tentativas de inibir as brigas entre torcedores. Quer acabar com as arruaças nas imediações dos estádios. "O torcedor agora irá conversar diretamente com a polícia", disse.Para o clássico Palmeiras e Corinthians, a Federação contratará monitores para fazer com que o torcedor se sente exatamente no lugar determinado no ingresso.A decisão provocou polêmica. O tenente-coronel Marcos Marinho, do 2º Batalhão de Choque, repudiou a iniciativa. "Sinceramente, presidente, acho que isso não funcionará. Enquanto não educarmos o público e oferecermos a ele condições para isso, não temos como obrigá-lo a ficar em seu lugar. Precisaríamos de mais de 1.000 monitores e mesmo assim não teríamos sucesso", disse.Marco Polo del Nero rebateu. "Então vamos começar a educá-los desde já. Quem tiver comportamento inaceitável será preso. Por isso contamos com a colaboração da Polícia Militar", insistiu.Divergências - A FFP e o Choque não se entenderam em determinados momentos da reunião. O tenente-coronel Marinho, que perdeu a paciência com o futebol após a briga entre torcedores palmeirenses da Mancha Verde e da TUP, pediu o fim de todas as barracas nas imediações do Morumbi e num raio de dois quilômetros do estádio.Marco Polo del Nero deu a idéia de voltar com a venda de cerveja dentro do campo, como era no passado, contrariando o que pensa o coronel Marinho e o que quer o subprefeito do Butantã. "Os clubes perdem receita com a proibição das vendas e o camelô ganha na porta do estádio. É uma afronta", disse Del Nero.A divergência de opiniões será resolvida nos próximos encontros. É certo, no entanto, que o torcedor de futebol terá tolerância zero a partir de agora se descumprir as determinações impostas nas leis.O coronel Marcos Marinho informou ainda que o governo federal passou a se envolver com o assunto após a criação da Comissão Nacional de Segurança em Estádios, vinculada ao Ministério dos Esportes. "Só a integração dos segmentos será capaz de resolver os problemas. Temos a obrigação de pôr as soluções em prática."Discussões desse tipo já foram feitas na FPF, mas nunca com o comprometimento e envolvimento dos principais órgãos públicos de São Paulo. Parece que existe no ar a certeza de que a hora é essa para dar um basta nos problemas envolvendo torcedores de futebol nos estádios. As polícias também não querem mais papo com torcedores arruaceiros. A política da tolerância zero está deflagrada. E já começará domingo, no clássico.André Luiz Di Rissio, representante da Polícia Civil do Estado na reunião desta sexta, foi taxativo em seu apelo. "O torcedor tem medo apenas de uma coisa: cadeia. Então temos de começar a prendê-lo. Como? Pelo caminho legal, o inquérito policial. Vamos investigar e prender. Todos vão agora para a cadeia", prometeu.A idéia é fichar os ?bagunceiros? e começar a prendê-los, sobretudo os reincidentes. "Vamos acabar com essa bagunça ou ela vai acabar com o poder constituído."Organizadas - O delegado Antônio Mestre Júnior, do DHPP, tem a missão de investigar todas as torcidas organizadas de São Paulo, começando com a Mancha e a TUP. "Todas serão passadas a limpo e tomaremos a providencia processual cabível. Estamos atrás de interesses escusos dessas facções. Queremos saber se existe nelas bandos ou quadrilhas", disse. "E só Deus sabe o que vamos encontrar."O subprefeito do Butantã, Marcos Albuquerque, pediu ainda um maior envolvimento dos clubes, sobretudo do São Paulo, para melhorar as condições do torcedor nas imediações do Morumbi. Sabe-se, por exemplo, que desde fevereiro a região do estádio, que é Zona Z-1, permite a construção de estacionamentos, o que não há. "Fizemos ainda uma vistoria nos terrenos baldios e vamos começar a multar os proprietários que não construírem muros ou colocarem portões", disse. "Vamos trabalhar com a PM intensamente na região."

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