TOP 5 - Brasil x Itália: os cinco gols mais marcantes

História do duelo entre as duas seleções teve início na Copa do Mundo de 1938

Mateus Silva Alves, O Estado de S. Paulo

21 de março de 2013 | 08h00

SÃO PAULO - A história do duelo entre Brasil e Itália teve início em 1938, na Copa do Mundo da França (com vitória italiana), e desde então ele se tornou um dos mais fascinantes clássicos do futebol mundial. O fato de as seleções terem se enfrentado na decisão do Mundial duas vezes prova isso. Naturalmente, um confronto de tamanha tradição deixou para a história do esporte bretão uma coleção de grandes gols. Alguns deles se destacaram pela beleza, outros pela importância histórica, mas a verdade é que basta ser marcado em um Brasil x Itália para que qualquer gol se torne especial.

A seguir, apresentamos os cinco tentos mais memoráveis da história do clássico:

1.° - Carlos Alberto Torres

Brasil 4 x 1 Itália - Copa do Mundo do México (21/6/1970)

Aquele gol não deu o título mundial ao Brasil, já que faltava pouco para terminar a decisão da Copa do México e a Itália, que perdia por 3 a 1, já estava entregue às moscas. Ainda assim, o tento de Carlos Alberto Torres é um dos mais importantes da história da seleção porque é uma representação perfeita da extraordinária tradição brasileira de futebol bonito. Foi assim: o time começou a tocar a bola na defesa até que Clodoaldo decidiu mostrar do que era capaz e saiu driblando. Foram quatro os italianos deixados para trás na maravilhosa jogada do volante. Aí Clodoaldo passou para Rivellino, que lançou para Jairzinho. Ele conduziu a bola da esquerda para o meio e tocou para Pelé. Então o Rei, como se tivesse uma coroa na cabeça e um cetro nas mãos, rolou a bola majestosamente para Carlos Alberto soltar a bomba fatal. Poucas vezes o futebol viu uma combinação tão fantástica de talento, inteligência, força física e desejo de vencer. Não por acaso, este gol é considerado um dos mais bonitos de todas as Copas.

2.º - Nelinho

Brasil 2 x 1 Itália - Copa do Mundo da Argentina (24/6/1978)

Curiosamente, o segundo gol da nossa lista também foi marcado por um lateral-direito. Mas enquanto o tento de Carlos Alberto foi uma obra-prima do futebol coletivo, aqui estamos falando de uma ação individual. Era a decisão do terceiro lugar da Copa da Argentina e, embora ser terceiro ou quarto não faça muita diferença, especialmente no Brasil, o time brasileiro queria muito a vitória para terminar o torneio como "campeão moral", como disse o técnico Cláudio Coutinho. Ninguém havia engolido a goleada da Argentina sobre o Peru, resultado que tirou a seleção brasileira da final. Corria o segundo tempo e o Brasil perdia por 1 a 0 quando Nelinho, aberto na ponta direita, recebeu um passe de Roberto Dinamite. E fez o improvável: quando o bom senso indicava um cruzamento como a melhor opção, ele mandou um chute para o gol. E que chute foi aquele! A bola saiu do pé direito do jogador do Cruzeiro com a velocidade de uma bala de canhão e fez uma curva inacreditável, que deixou o goleiro Zoff atônito. Mesmo se esticando até o limite de suas possibilidades, Zoff não foi capaz de evitar um dos mais impressionantes gols da história dos Mundiais.

3.º - Paolo Rossi

Itália 3 x 2 Brasil - Copa do Mundo da Espanha (5/7/1982)

O terrível pesadelo vivido pelos torcedores brasileiros na segunda fase da Copa do Mundo espanhola começou logo aos cinco minutos da partida contra a Itália. O mundo inteiro esperava ver o time italiano se fechar na defesa e esperar o fabuloso esquadrão canarinho lhe oferecer a chance de um contra-ataque, ainda que o empate favorecesse o Brasil. Mas não foi exatamente isso o que aconteceu. A equipe azul decidiu que também iria jogar e abriu o placar com uma jogada muito bem costurada. Conti conduziu a bola pela direita do ataque italiano e com um lindo passe com a parte externa de seu pé esquerdo encontrou Cabrini do outro lado do campo. Então o lateral executou um cruzamento perfeito, na cabeça de Paolo Rossi, que sutilmente venceu Waldir Peres. Foi o gol que mudou o rumo do jogo, da Copa do Mundo e até da carreira de Rossi. E que deu início à derrocada de um time quase perfeito - naquele dia quente de Barcelona, ficou evidente que até mesmo a equipe de Telê Santana tinha seus defeitos.

4.º - André Cruz

Brasil 1 x 0 Itália - Amistoso (14/10/1989)

Pouco menos de um ano antes da Copa do Mundo da Itália, o Brasil visitou os anfitriões do Mundial para um amistoso na cidade de Bologna - aliás, foi a última vez que as duas seleções se enfrentaram em território italiano. Àquela altura, o time brasileiro havia acabado de ganhar a Copa América e a classificação para a Copa do Mundo e, por isso, havia enorme entusiasmo no País. Ninguém era capaz de suspeitar que a equipe dirigida por Sebastião Lazaroni iria fazer um papel tão medíocre no torneio do ano seguinte. E o amistoso contra os italianos serviu para dar ainda mais força ao clima de otimismo. O zagueiro André Cruz, que na época defendia o clube que o revelou, a Ponte Preta, saiu do banco de reservas para marcar o gol da vitória brasileira por 1 a 0. A especialidade do beque eram as cobranças de falta e foi assim que ele deu a vitória ao Brasil. Um chute impecável, no ângulo, deixou o ótimo goleiro Zenga sem ter o que fazer. Foi o gol mais importante da carreira de André Cruz, que em 1990 começou uma aventura não muito bem-sucedida pelo futebol da Europa.

5.º - Romário

Brasil 3 x 3 Itália - Torneio da França (8/6/1997)

Um ano antes da Copa do Mundo de 1998, a França organizou um torneio amistoso que reuniu, além da seleção da casa, Brasil, Itália e Inglaterra. Na segunda rodada, brasileiros e italianos se enfrentaram pela primeira vez desde a decisão do Mundial dos Estados Unidos, três anos antes. E, ao contrário da arrastada partida do Rose Bowl, o jogo disputado no Estádio de Gerland, em Lyon, foi cheio de emoção - e de gols. A equipe europeia chegou a estar vencendo por 3 a 1, mas sofreu uma enorme pressão do Brasil no segundo tempo e acabou amargando o empate por 3 a 3. O último tento da jornada foi a enésima demonstração da habilidade e da esperteza que Romário tinha de sobra - e que apareciam sempre que ele estava perto do gol adversário. Em uma jogada confusa, com um mar de pernas à procura de uma bola, o Baixinho recebeu de Ronaldo e com um toque se livrou de dois zagueiros. Depois, deixou o goleiro Pagliuca sentado e empurrou a bola para o gol. Simples e genial.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.