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Topa tudo por dinheiro

Mando de campo invertido, desequilíbrio técnico, vale tudo no Campeonato Paulista

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2018 | 04h00

Os Estaduais perderam importância. O futebol mudou, o calendário é outro e as expectativas dos torcedores foram alteradas. Se há 41 anos ganhar o Campeonato Paulista era um sonho para gerações de corintianos em meio ao jejum de títulos, hoje ser hegemônico entre as fronteiras do Estado não basta. É preciso conquistar a América, o mundo.

Contraditoriamente, os certames regionais têm maior valor de mercado. Como? Se no passado não se negociava direitos de transmissão pela TV, hoje isso movimenta milhões de reais. As transformações no universo futebolístico geraram receitas significativas onde dinheiro não havia. Ao se tornar atração na telinha, pode valer menos sem partidas de apelo popular, jogos entre grandes, os clássicos.

Claro, uma reta final com Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo seria ideal para quem compra os direitos. É o mais atraente para a vitrine da Federação Paulista. Clubes menores, ávidos por alguns caraminguás, não só vendem mando como aceitam sua inversão, caso da Linense, que “mandou” o duelo com os tricolores no Morumbi(!) nas quartas de final de 2017.

E não foi inédito. Na primeira rodada de 2015, o Audax, que joga em Osasco, estreou como mandante no Allianz Parque, casa do Palmeiras. O adversário? Ora, o time alviverde. Agora, o Bragantino, que já decidiu em seu estádio um Brasileirão, o deixou de lado para “receber” o Corinthians no Pacaembu, moradia corintiana por décadas. Tudo para embolsar o dinheiro da Fiel, a quem o clube interiorano ofereceu a massacrante maioria dos ingressos.

Como em anos anteriores, a Federação não apresentou objeção. Mesmo com novo favorecimento, desta vez ao Corinthians, jogando praticamente duas vezes em casa, enquanto São Paulo, Santos e Palmeiras deixavam a capital para encarar São Caetano, Botafogo e Novorizontino em seus campos. A entidade certamente não se oporia a mudanças de locais e até inversões de mando se os adversários dos outros grandes agissem como o Bragantino.

Nas dez últimas edições do campeonato, apenas em três (2009, 2011 e 2015) os clubes que detêm as maiores torcidas no Estado ocuparam as quatro principais colocações. Obviamente não é possível determinar que farão as semifinais, mas se acontecer, melhor para o negócio Futebol/TV. É como se alguém pensasse: “Se os pequenos querem faturar e para isso facilitam os grandes, por que impedir?”

Quanto ao aspecto técnico, o equilíbrio, a isonomia entre as equipes, não parece relevante. É a grana da TV que faz essa roda girar, mesmo com toda a decadência dos estaduais, aceleradas pela permissividade que compromete a credibilidade do certame. Mas dirigentes não ligarão para isso, até que a audiência caia pela falta de seriedade e desinteresse do torcedor, cujas ambições vão além das fronteiras Bandeirantes.

​SELEÇÃO BRASILEIRA

Tite segue matutando sobre como superar quintetos nas defesas rivais. A estratégia levou o Chelsea ao título inglês em 2017 e vem sendo utilizada por muitos times europeus há quase dois anos. Mas o treinador da CBF só percebeu que teria esse obstáculo diante de si no empate sem gols contra a Inglaterra, em novembro. Com fama de antenado e atento, demorou a perceber algo óbvio. Por isso esteve no dia 4 em Manchester, vendo de perto o funcionamento da defesa do atual campeão inglês desafiar o ataque do futuro detentor do título da Premier League, o City de Guardiola, que venceu por 1 a 0. Para o treinador, será perfeito se a Rússia escalar a linha de cinco na defesa no amistoso do dia 23, como fez em seis de seus últimos dez jogos.

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