Jamil Chade/Estadão
Jamil Chade/Estadão

'Torcedor' Blatter se diverte com memes sobre Neymar e critica Copa de 2014

Fifa se irrita com presença de Blatter na Rússia, mas ex-dirigente é convidado por Putin para o evento

Jamil Chade, enviado especial/Moscou, O Estado de S.Paulo

21 Junho 2018 | 07h29

“Quero te mostrar uma coisa”, afirma à reportagem o ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter. Retirando do bolso seu telefone, ele busca em seus e-mails um deles. “Você vai rir”, alertou. As fotos se referiam a memes relacionados com Neymar e sua atuação no jogo contra a Suíça

+ México é punido por cantos homofóbicos de sua torcida na Copa do Mundo

+ Técnico sensação em 2014 vê Costa Rica mais forte para encarar o Brasil

+ Trem-bala russo vira atração turística na Copa do Mundo

“Olha esse”, disse, apertando sobre um botão para que um desenho de Neymar apareça com ele driblando e, depois, caindo sem que o jogador tenha sido tocado. Em seu telefone, existiam pelo menos mais uma dezena de fotos sobre o brasileiro.

Rindo, Blatter preferiu não tecer comentários sobre o jogador brasileiro, que ele irá ver amanhã em São Petersburgo, no jogo contra a Costa Rica. Questionado sobre quem apoiaria no jogo, ele garantiu em um tom jocoso e elevando a voz: “Costa Rica”. 

Mas Blatter deixou claro que tampouco gostou do que viu no comportamento do time suíço. “Eles jogaram de forma destrutiva”, disse. “Não gostaram nada do que eu disse la na Suíça. Eu não acho correto que os jogadores deem risadas de outro jogador no chão. Isso não é futebol”, declarou o ex-presidente da Fifa. Ele se referia a lances de falta sobre Neymar. O brasileiro, no chão, foi acusado pelos suíços de dissimular uma gravidade que não era real no choque.

 

Dizendo ser apenas “um torcedor” na Copa do Mundo, Blatter tem causado a irritação da Fifa em Moscou. A entidade ignorou sua viagem, evitando que jornalistas possam fotografá-lo nos estádios e impedindo que ele tenha acesso à área VIP reservada aos cartolas da entidade. Para os jogos, ele precisa encontrar lugar em outros camarotes de empresas privadas.

Internamente, sua aparição foi considerada como uma afronta ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, que tem feito de tudo para mostrar ao mundo que a entidade “virou a páginas” dos escândalos de corrupção da Era Blatter.

Mas, desafiando a organização, o governo russo estendeu um tapete vermelho ao ex-presidente, inclusive sendo recebido pelo presidente Vladimir Putin. “Eu e o novo presidente da Fifa, Gianni Infantino, temos uma relação especial: não nos falamos”, declarou Blatter.

“A relação é diferente com o Kremlin.  O presidente do estado russo me convidou. Se eu fosse o presidente da Fifa, eu teria dito: bem-vindo”, recomendou o ex-cartola. “Isso é uma oportunidade desperdiçada. O futebol deve reunir as pessoas e porque não o diálogo?”, disse. “Presidentes mudam e tem outro ponto de vista. Uma pena. Mas eu estou aqui como torcedor”, garantiu.

Blatter confirmou que jantou com Vitaly Mutko, vice-primeiro-ministro russo e acusado pela Wada de ser o responsável por organizar um doping de estado no país. Logo depois, foi a vez de um encontro com Putin. “Tivemos um encontro e fiquei feliz de encontra-lo no Kremlin”, destacou.

O suíço também comparou a Copa de 2018 à situação no Brasil em 2014, seu último Mundial. “Os russos estão felizes com a Copa”, disse. “Lembra-se do que ocorreu no Brasil há quatro anos? Não foi nada fácil”, destacou.

Blatter considera que seu exílio da família Fifa vai acabar quando sua suspensão for revogada, algo que ele ainda acredita que será possível. “Não tem motivos para a suspensão. Fomos punidos por má-gestão”, disse.

Mas, enquanto isso, ele insiste: “é bom ser um torcedor”.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.