Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Torcedor do Mamoré identificado por racismo tem noiva negra

Marcelo Carlos Fernandes ofendeu o jogador Francisco de Assis durante um jogo contra o Uberlândia

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

22 de março de 2014 | 17h00

SÃO PAULO - O caminhoneiro e torcedor do Mamoré Marcelo Carlos Fernandes, único identificado em todos os casos de injúria racial envolvendo clubes brasileiros em 2014, nega que tenha ofendido o jogador Francisco Assis.

De acordo com sua versão, a discussão entre ele e um grupo de jogadores do Uberlândia que faziam aquecimento no intervalo do jogo começou por causa das condições do gramado do Estádio Bernardo Rubinger de Queiroz, em Patos de Minas, e descambou para ofensas pessoais e xingamentos, mas, segundo ele, sem conotação racista. "Xinguei mesmo, mas não aquilo que falaram. Sou um torcedor fanático e gosto de defender meu clube. Eles estavam caçoando de mim", diz o torcedor que, de acordo com o Mamoré, não pertence à relação de associados ou sócios-torcedores do clube.

O principal argumento que Marcelo utiliza em sua defesa é familiar e sentimental. Ele está noivo de Elis Regina Silva, que é negra. "Como vou ofender outro negro se minha própria noiva é negra?", questiona o torcedor de 46 anos.

O delegado Bruno do Carmo Garcia, responsável pelo inquérito, confirma que o argumento foi apresentado em depoimento na semana passada.

Apesar da argumentação, policiais e testemunhas da própria torcida do Mamoré presenciaram os xingamentos e Marcelo foi levado para a delegacia de Patos de Minas. Naquele momento, Assis não quis comparecer e, por isso, o torcedor assinou um termo e foi liberado. Na última quinta-feira, o jogador do Uberlândia reafirmou a intenção de parar o caso e não processar o torcedor.

Com isso, o inquérito está praticamente encerrado. "O inquérito ficará aberto por seis meses, prazo dado para que a vítima eventualmente mude de ideia, mas acredito que não será levado adiante", avalia o delegado Bruno Garcia.

Também não haverá ação judicial entre os clubes. Guto Braga, presidente do Uberlândia, afirma que o Mamoré não deve ser punido por uma ação individual de um torcedor, mas esse sim, na opinião do dirigente, deveria ser penalizado.

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