Torcedor: promotora acompanha inquérito

A primeira providência da Polícia Militar para pôr fim à violência das torcidas entra em vigor no próximo dia 30. Horas antes de São Paulo e Corinthians entrarem em campo, no Morumbi, agentes da PM à paisana vão atuar entre os torcedores para identificar os baderneiros e tornar providências mais rápidas. "Já que esses grupos insistem em fazer bagunça, vamos intensificar a ação. O que posso revelar é que teremos agentes à paisana no meio dos grupos de torcedores já no próximo clássico. Não posso dizer quantos nem de que forma, mas assim que esses homens perceberem alguma movimentação anormal, vão poder acionar as patrulhas próximas", disse hoje o coronel Marcos Marinho, comandante do 2º Batalhão de Choque da Polícia Militar, responsável pela segurança dos estádios. Vários setores da sociedade estão se mobilizando para encontrar soluções depois da morte do estudante Marcos Gabriel, de 16 anos. Torcedor do Corinthians, o rapaz sofreu traumatismo craniano numa briga entre corintianos e palmeirenses, domingo, nas proximidades do Metrô Barra Funda, pouco antes do clássico de domingo. Na segunda feira ele sentiu-se mal e morreu no Hospital Santa Cecília durante cirurgia para retirada de um coágulo do cérebro. "A própria Gaviões da Fiel passa uma orientação para seus integrantes a respeito do itinerário a ser cumprido para que não haja problema algum. Agora, esse grupo aí que estava na Barra Funda eu não sei o que estava fazendo lá. Não era para estar lá." Hoje, a promotora Mildred Gonzales Campi, do 5º Tribunal do Júri foi designada pelo Procurador Geral da Justiça Rodrigo Cesar Rebello Pinho para acompanhar o inquérito policial sobre a morte de Marcos. Mildred vem atuando no processo contra o estudante Gil Greco Rugai, acusado de matar o pai, Luiz Carlos Rugai, e a mulher do pai, Alessandra de Fátima de Troitiño. A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) também vai adotar novas medidas de segurança contra os baderneiros que atuam em suas dependências. A partir do próximo clássico, agentes vão impedir a coincidência de horários no desembarque de torcedores rivais. "Infelizmente, só falta virar babás desses vândalos", disse o gerente de Segurança da CPTM, Leopoldo Correia Filho. "O que aconteceu foi uma infeliz coincidência no encontro de dois trens, um vindo da Linha B (Julio Prestes-Itapevi) e da Linha A (Brás-Francisco Morato). Os dois chegaram ao mesmo tempo, na Estação Barra Funda. Quando saíram, encontraram o momento propício para o confronto." Hoje o delegado José Celso Damasceno, que preside o inquérito no 23º Distrito Policial, conversou com a mãe de Marcos. Mas dona Maria Emedina não soube dizer com que amigos seu filho estava quando foi atacado. "Também lá no local da ocorrência, falei com Deus e o mundo, mas como é uma área de comércio, tudo estava fechado no domingo, ninguém admite ter visto nada", disse o delegado. "Intimei o presidente da Mancha para trazer à delegacia as fichas dos integrantes da torcida, também." O Ministério Público também trabalha no caso. "Na terça-feira, os diretores das torcidas estarão aqui no MP para ver as imagens e identificar os agressores", contou o promotor Fernando Capez. "Estamos em uma fase de colaboração, eu sinto da parte deles boa vontade para encontrar soluções, até porque é uma questão de sobrevivência para eles."

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