Torcedor, Zveiter absolve o Botafogo

O Botafogo obteve efeito supensivo do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e não vai perder o mando de campo contra o Cruzeiro, sábado, em partida que já estava transferida para a cidade de Joinville. A decisão de punir o clube havia sido tomada pela 4ªComissão Disciplinar do tribunal, na sexta-feira, sob a alegação de queo Botafogo não tomara providências capazes de prevenir a atitude de umtorcedor, que arremessou garrafa cheia de água no gramado do CaioMartins, durante partida com o São Caetano, em 7 de outubro. De acordo com os auditores da 4ª Comissão, o Botafogo errou aopermitir a venda de garrafas plásticas no Caio Martins. Deveria,segundo eles, seguir o exemplo do Atlético-PR, que só negocia bebidasem copos sem tampa, na Arena da Baixada. A garrafa não atingiu ninguém.Mas motivou a denúncia, oferecida pela Procuradoria do STJD. Quemassinou o pedido de efeito suspensivo foi o presidente do tribunal,Luiz Zveiter, torcedor do Botafogo. Em documento emitido por sua Assessoria de Imprensa, Zveiter explicou que o Botafogo reprimiu o torcedor, detido e levado para a delegaciamais próxima, onde houve registro de boletim de ocorrência. O homemtambém passou a ser processado pelo Juizado Especial Criminal. Na mesmasexta-feira, outros três clubes sofreram punição de perda de mando decampo: Atlético-PR, Atlético-MG e Grêmio. Os dois Atléticos entraramcom pedido de efeito suspensivo, negado por Zveiter. O Grêmio foipunido porque um torcedor arremessou um par de tênis no gramado, nojogo com o Fluminense, em 6 de outubro, no Olímpico. Há duas diferenças entre os casos de Botafogo e Grêmio. No doBotafogo, o clube poderia ter evitado a entrada da garrafa no setorsocial. No do Grêmio, não há como pedir aos torcedores que entremdescalços no estádio. A favor do clube carioca, no episódio, está arápida ação da polícia. No Olímpico, o autor do arremesso do par detênis não foi identificado. Mas o Artigo 213 do Código Brasileiro deJustiça Desportiva (CBJD) afirma que a punição tem de ser aplicada aquem deixa de tomar providências capazes de ?previnir ou reprimir?desordens em sua praça de desporto.Pela interpretação dos auditores da 4ª Comissão, o Botafogo pecoupela falta de prevenção. Luiz Zveiter, no entanto, centrou sua decisãona repressão das autoridades presentes no Caio Martins, na data doincidente. Conseguiu, assim, evitar que o seu clube de coração, na lutapara não ser rebaixado, tenha de jogar fora do Rio contra o Cruzeiro.O caso ainda vai ser julgado pelo tribunal pleno do STJD, presididopor Zveiter, e o Botafogo poderá ter a pena de perda de mando de campo restabelecida. Esta hipótese, no entanto, é muito pouco provável.

Agencia Estado,

26 de outubro de 2004 | 15h47

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