Martin Acosta/Reuters
Martin Acosta/Reuters

Torcedores argentinos celebram vaga às oitavas

BUENOS AIRES - Durante 93 minutos - os 45 do primeiro tempo, mais os 15 do intervalo, além de 33 minutos do segundo tempo - os torcedores argentinos padeceram a angústia da ausência total de gols por parte da seleção comandada pelo técnico Diego Armando Maradona. Mas, com o gol protagonizado por Martín Demichelis, puderam respirar aliviados. Pela primeira vez desde o início desta Copa do Mundo, uma onda de otimismo, embora cauteloso, tomou conta da "hinchada" (torcida). O segundo gol, de Martín Palermo, no minuto número 42, confirmou a sensação de alívio.

Ariel Palacios, Correspondente

22 de junho de 2010 | 17h58

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Multidões que assistiam o jogo em telões instalados pela prefeitura na Praça San Martín, no centro da cidade, e no Parque Centenário, no bairro homônimo, festejaram o resultado aos pulos.

Após o fim do jogo, centenas de pessoas reuniram-se ao redor do Obelisco, o monumento-símbolo da cidade, que é o principal ponto de festejos de vitórias esportivas.

O jornal La Nación foi sóbrio ao comentar o resultado, com uma crítica embutida: "A Argentina ganha bem no final". O site do jornal Clarín afirmou que "Argentina voltou a festejar e agora chega o México em um duelo de tudo ou nada".

O jornal esportivo Olé ressaltou o sufoco padecido pelos torcedores argentinos: "Uma Copa de loucos".

O site do jornal Infobae foi categórico: "A Argentina quebra a defesa grega e tira a passagem para as oitavas de final da Copa". Na mesma linha, o periódico econômico "Ámbito Financiero" sustentou que "A Argentina ganhou e passa às oitavas com número ideal de pontos".

PRIMEIRO TEMPO COM FILOSOFIA GREGA. Mateo Cardona suspirou inconsolável. O primeiro tempo do jogo Argentina versus Grécia havia concluído sem o esperado gol argentino. Imediatamente, na sequência, murmurou um impublicável epíteto contra o técnico da seleção argentina, Diego Armando Maradona. Removeu por uns instantes seu boné de três pontas com as cores da seleção argentina - azul-celeste e branca - arrumou os cabelos, e dispôs-se a conversar com o Estado sobre o desempenho da seleção argentina em seu terceiro jogo na Copa.

"Acredita que a Argentina poderá chegar à final da Copa do Mundo?" perguntou o Estado. Cardona, taxista que fez o curso de História na Universidade de Buenos Aires até a metade, em involuntária alusão ao filósofo ateniense Sócrates, respondeu: "só sei que nada sei".

Segundo o taxista, o desempenho da seleção argentina, sob o comando do controvertido Diego Armando Maradona, é "um mistério". Cardona explicou: "até agora, a Argentina vinha bem, havíamos enfrentado duas seleções fracas, como a Coreia do Sul e a Nigéria. O pessoal estava ficando muito entusiasmado. Mas, com os gregos vamos desse jeito, capengas. Não sei como poderá ser quando aparecer um time de peso. Aí a coisa pode ir muito mal". Imediatamente, repetiu as duas últimas palavras, prolongando a letra 'u', para ratificar seu pessimismo: "muuuuito mal".

Cardona assistiu o primeiro tempo do jogo em um telão instalado pela prefeitura na Praça San Martín, no bairro de Retiro, no centro de Buenos Aires. "Vou embora, vou circular com o táxi e ouvir o jogo no rádio", disse decepcionado.

Na praça San Martín, com diferentes graus de entusiasmo ou decepção, acotovelavam-se ao redor de 8 mil pessoas.

Um volume similar aglomerou-se ao redor de um telão instalado no anfiteatro do Parque Centenário, no bairro homônimo.

No entanto, no 33.º minuto, o gol protagonizado por Martín Demichelis provocou uma onda de alívio generalizado

Dez minutos depois, um segundo gol, perpetrado por Martín Palermo, provocou uma onda de gritos de "hurras" e toques de cornetas em diversos bairros portenhos.

MENOS BANDEIRAS DO QUE EM 2006. Meia hora antes do jogo, Reneé e sua mãe, Élida, instaladas com sua barraquinha de objetos para celebrar a Copa na esquina das avenidas Callao e Santa Fe, destacaram ao Estado que tinham esperanças de uma vitória argentina não somente no jogo contra a Grécia, mas também na Copa do Mundo.

Vendedoras ambulantes de bandeiras, bandeirolas, fitas de cabelo, cachecóis e bonés - além de cornetas - com as cores da bandeira argentina, as duas destacaram que na Copa de 2006 havia mais entusiasmo por parte dos torcedores argentinos.

"Nesta Copa vendemos bem no primeiro jogo. Mas, depois, quase nada", disse Élida. Sua filha Reneé acrescentou: "é que o pessoal tá curto de dinheiro... 'la plata' (gíria para dinheiro) está difícil, mesmo para comprar estas coisas. Há quatro anos, na Copa anterior, vendemos bem mais".

"A presença de Maradona como técnico, reduz as expectativas positivas nos torcedores?", perguntou o Estado. Reneé, inclinou a cabeça levemente e levantou as sobrancelhas em sinal de confirmação dessa teoria. No entanto, ressaltou que embora não goste de Maradona. "Mas, a seleção é a seleção, e por isso espero que ganhe".

Sua mãe interrompeu para profetizar: "Argentina será campeã; Brasil vice. Uruguai terá o terceiro lugar. E o quarto será para o Chile".

 

 

 

 

 

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