Torcedores chegam em peso. E de motor-home

Argentinos estão 'hospedados' ao lado do Parque Harmonia e confiam numa goleada contra a Nigéria

Pablo Pereira - enviado especial a Porto Alegre, O Estado de S. Paulo

25 de junho de 2014 | 05h00

Eles invadiram mesmo Porto Alegre. Milhares de fanáticos argentinos pelo time de Lionel Messi tomaram as ruas e estão acampados no Parque da Harmonia, à beira do Rio Guaíba, de onde já se enxerga o Estádio Beira-Rio, palco do jogo de hoje entre Argentina e Nigéria, às 13h.

É ali, ao lado do Harmonia, que os amigos Javier Plá e Miguel Gusella e outros oito argentinos estacionaram o ônibus transformado em casa numa travessia iniciada no dia 12 em Corral de Bustos, Província de Córdoba. Depois de passar pelo Rio e por Belo Horizonte, a turma aguarda a hora de ver o time de Sabella entrar em campo no beira-rio.

"Estamos confiantes na vitória contra a Nigéria", afirmou o caminhoneiro Miguel Gusella. "E estamos sendo muito bem recebidos pelos brasileiros", emendou o colega dele, Javier Plá. No início da tarde de ontem, o grupo preparava os aposentos para descansar da viagem e, enquanto isso, eles planejavam como fariam para conseguir os quatro ingressos que ainda faltavam para o jogo.

Entusiasmado com a aventura por terras brasileiras, Plá lembra que em Belo Horizonte tiveram seus melhores momentos de contato com a hospitalidade nacional. “Quando nos perdemos na estrada, um senhor nos guiou com o próprio carro até Nova Lima (na região metropolitana). Ele foi na frente para nos levar. Foi muito gentil”, disse o contador.

Tensão. Nesta viagem da Copa, segundo Gusella, o momento mais tenso aconteceu no Rio, onde ficaram por 5 dias. Policiais abordaram o veículo deles alegando que havia irregularidades no ônibus.

"Pediram um cafezinho, R$ 20. E nos deixaram seguir. Isso tem muito na Argentina também", afirmou o visitante. "Isso foi somente um episódio", emendou Plá, preocupado em afirmar que os brasileiros estão sendo muito cordatos com os estrangeiros.

Em Porto Alegre, andando pelas ruas do centro e por bairros próximos do estádio, os argentinos não enfrentavam problemas com a polícia ontem. Usando as instalações do Parque da Harmonia para comer e para banhos, eles foram formando uma longa fila de carros com suas placas pretas. Ao ouvir falar dos barras-bravas, que estariam chegando à cidade para o jogo, Gusella se irritou. "Que sejam presos aqui e por aqui fiquem", disse ele, criticando o comportamento das torcidas organizadas.

Bem perto do velho ônibus, Carlos Santos e Lionel Houssain haviam recém-chegado de Córdoba. "Tivemos de esperar por 10 horas em Uruguaiana, porque a polícia queria saber do seguro do carro", contou Santos. Casado com uma brasileira, com duas filhas, ele disse que já veio várias vezes ao Brasil de carro e que nunca havia sido barrado por tanto tempo. Planejando ficar em Porto Alegre até sexta-feira, Houssain disse que a partida contra a Nigéria será um passeio, arriscando um 3 a 0 no placar.

Sem ingressos para o jogo, mas nem por isso menos empolgado, Dario Tissera, de San Antonio, desde cedo comemorava a presença na cidade. Ao lado do amigo, Alexis, que aproveitava para divulgar sua "tienda" Camisetamania, eles contavam que saíram de Córdoba, foram ao Rio, Belo Horizonte, retornaram ao Rio e pretendem encerrar a odisseia da Copa no Brasil em Porto Alegre.

"Vamos ver o jogo aqui mesmo ou ali na Fan Fest", disse Alexis, que tinha o carro estacionado a cerca de 300 metros do local preparado para receber pelo menos 18 mil pessoas com telão, gramado amplo e locais para comer e beber.

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