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Torcedores de time argentino pintam o próprio estádio

Com clubes em greve, torcedores do Doulgas Haig organizaram um mutirão para pintar o estádio do clube

Carolina Werneck, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2016 | 07h04

Torcedores do Douglas Haig, equipe que disputa a Primera B Nacional, a segunda divisão do futebol argentino, aproveitaram a greve organizada por todos os times do campeonato para revitalizar o Miguel Morales, estádio do clube, na cidade de Pergamino, a 230 km de Buenos Aires. A Subcomissão de Torcedores do Douglas organizou uma pintura geral no local no último sábado.

Antes de começar a colorir o estádio com o vermelho e preto da bandeira, cerca de 100 torcedores fizeram uma limpeza geral com uma lavadora de alta pressão que, assim como a tinta usada na reforma, foi adquirida pelos próprios torcedores com dinheiro proveniente de rifas, jantares e venda de camisas do Douglas, como explica o presidente da Subcomissão, Pablo Verrengia. "Pintamos o chão de três arquibancadas, além do campo e da sede do time, tudo por meio do nosso esforço. Também confeccionamos duas bandeiras gigantes", conta.

Com rolos, pincéis e um trabalho conjunto manual, a torcida levou apenas dois dias para deixar o Miguel Morales pronto para receber o restante do campeonato, que estava parado desde o dia 20 de setembro em protesto contra a Associação de Futebol da Argentina (AFA), que não vinha cumprindo o acordo financeiro feito com os clubes da B. A competição, que só teve cinco rodadas até o momento, será reiniciada na próxima sexta-feira, após um acordo entre a AFA e os dirigentes dos clubes.

A pintura do estádio é uma espécie de tradição para os torcedores do clube e é feita a cada três ou quatro anos. Verrengia conta que, quando sua esposa estava grávida do filho do casal, Leon, há três anos e meio, eles participaram de uma das ações de revitalização. Desta vez, já com três anos, o pequeno também foi ajudar na pintura do Miguel Morales.

Para o presidente, Indalecio Godoy, ter uma torcida tão participativa é um reflexo da identificação das pessoas com o time. "Somos uma comunidade que trabalha em conjunto e entende que pelo esforço e pelo sacrifício é que se conquistam os objetivos. Essa paixão dos torcedores nos une e traz muita identidade para os pergaminenses e para a região norte da província de Buenos Aires".

Pequeno, pero no mucho. O Douglas Haig foi fundado em 1918 por trabalhadores da Ferrovia Central Argentina e, por exigência do chefe da Ferrovia, de quem os operários buscaram apoio para montar o time, leva o nome de um general britânico que participou de várias batalhas contra o exército alemão durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Embora não seja um dos times mais conhecidos da Argentina, o Douglas tem inspirado gerações de moradores de Pergamino. "Meu pai me levava aos jogos quando eu era criança. O Douglas é uma grande família em que todos se conhecem. Somos amigos que dividem a mesma paixão, é diferente de torcer para o Boca ou o River. É o nosso clube, do bairro onde nascemos e crescemos. Há pessoas com 50 ou 60 anos que, quando jovens, também contribuíram para manter o clube, inclusive para a construção das arquibancadas", relata Verrengia.

De acordo com o presidente do clube, o time tem 30 mil torcedores, o que representa quase um terço dos pouco mais de 110 mil habitantes da cidade. A média de público é de cinco mil pessoas por partida. O número é quase a metade da capacidade total do estádio, que é de 12 mil pessoas.

Para a reforma, a Subcomissão de Torcedores fez uma convocação pelo Facebook. "Essas ações partem da consciência que nós temos de que um clube se faz com esforço e da importância que tem o estádio para a comunidade", diz o presidente.

E, para este ano... O Douglas está em penúltimo lugar na Primera B Nacional, com três pontos ganhos em quatro partidas. Para o presidente, Indalecio Godoy, o resultado parcial deve melhorar ao longo do campeonato. As projeções do presidente para 2016 são otimistas. "Esperamos estar entre os oito primeiros colocados", afirma.

Verrengia também acredita em bons resultados para o time, que já tem três estrelas na camiseta - elas representam o acesso à B Nacional em 1986, o acesso ao Torneo Argentino A, em 2010, e o novo acesso à B Nacional, em 2012. "A equipe não vem bem, mas acreditamos que vamos melhorar o nível. Precisamos recuperar nossa tradição, que é ganhar em casa, sempre", avalia.

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