Paloma Varón
Fachada da loja do PSG exalta Kylian Mbappé Paloma Varón

Torcedores do PSG não querem mais Neymar em Paris

Situação do craque no clube francês ainda é incerta restando pouco dias para o encerramento da janela de transferências

Paloma Varón, especial de Paris, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2019 | 18h31

A poucos dias do fim da janela de transferências da Europa, que se encerra no dia 2 de setembro em países como França, Espanha, Itália e Alemanha, a situação de Neymar no Paris Saint-Germain ainda é incerta. Se os fãs do craque entram todos os dias em suas redes sociais para saber se há novidades ou sinais de para qual lado ele pende, os torcedores mais fervorosos do PSG parecem já ter decretado que ele é página virada.

“Não acho que ele vá ficar, porque a fissura entre ele e o PSG é muito grande. Ele não tem nada de bom a trazer para o time, a gente prefere um jogador menos talentoso, mas mais respeitoso”, diz Anthony Pereira, 36 anos, torcedor e sócio do PSG há 24 anos e membro da torcida organizada Ultras Paris, na qual faz parte de um subgrupo chamado “A Luta Continua”.

“Estamos num período em que todo mundo diz que ele quer deixar o PSG e ele não só não faz comentários sobre isso como fala da 'remontada' com emoção. Ele insiste, obviamente sabendo que este episódio faz parte da pior derrota do clube que paga o seu salário e que causou um grande trauma em nós, torcedores. É uma falta de respeito”, completa Pereira, referindo-se ao episódio, citado por Neymar como sua melhor lembrança de carreira, no qual o Barcelona venceu o PSG por 6 a 1 em 2017, na Liga dos Campeões.

Para Cam, que prefere se identificar pelo apelido, membro do Virage Auteuil, outro subgrupo do Ultras, a faixa carregada durante o jogo entre o PSG e Nîmes, no último dia 11, que dizia “Neymar, cai fora!” é “totalmente compreensível”, dada à falta de respeito do craque com os torcedores do clube.

O também parisiense Guillaume Bellut é fã do craque e pede à esposa brasileira para traduzir posts de Neymar nas redes sociais para tentar entender as intenções do jogador, “sobretudo neste momento de incertezas”. “Gosto muito de Neymar no campo, a maneira como ele joga. Já o seu comportamento fora de campo me interessa menos”, confessa.

Samantha, a esposa brasileira, revela, em tom divertido, que Guillaume ficou tão entusiasmado quando Neymar foi comprado pelo PSG em agosto de 2017, que pensou em dar este nome ao bebê que eles estavam esperando. “Ele achou que era um nome comum no Brasil”, conta. Bellut nega, diz que é uma piada. Mas para de rir quando fala sobre a declaração de Neymar sobre a "remontada", que tanto irritou os fãs do clube. “É uma declaração estratégica, neste momento em que Neymar quer deixar o time e os fãs também não o deixariam em paz , se ele ficasse, com cantos e cartazes pouco honrosos”.

Como Bellut, Éric Sicard acha que a provocação de Neymar aos torcedores do PSG, “que deixam seus salários para serem sócios do clube”, é um insulto e que eles não vão perdoá-lo. “Sua atitude pouco profissional e egoísta está lhe fazendo pagar um preço alto diante dos torcedores”, define.

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    Preço e má fase do craque provocam queda na procura do uniforme

    Paloma Varón, especial de Paris, O Estado de S.Paulo

    22 de agosto de 2019 | 18h32

    A reportagem do Estado ficou ao menos uma hora e meia observando a movimentação de turistas e torcedores na loja oficial do Paris Saint-Germain no número 27 da Champs Élysées, a avenida mais badalada de Paris. Durante este tempo, vários se aproximaram da camisa de Neymar, olhavam o preço (165 euros, aproximadamente R$ 736 reais) e passavam para a camisa ao lado, de Mbappé.

    Tanto nesta loja quanto na loja que fica no estádio Parque dos Príncipes, os vendedores, que não quiseram se identificar, disseram que houve queda na comercialização da camisa do número 10 nos últimos dias, mas que as vendas em geral continuam boas, com Mbappé liderando e Neymar no segundo posto de camisas mais vendidas.

    O australiano Charlie Yousef, que passou alguns minutos olhando a camisa com interesse, admitiu que “prefere esperar”. Admirador de Neymar, o sul-coreano Lee Jin checou o tamanho, o material, mas preferiu não comprar a camisa número 10. “Pra quê? Ele está deixando o clube”, disse.

    Durante o tempo em que a reportagem esteve na loja, o único a realmente comprar foi o americano Daniel Gutierrez, que pediu um tamanho especial. Quando abordado pelo Estado sobre o que o motivara a comprar a camisa e não outra, ele confessou que não entende nada de futebol e que se tratava de uma encomenda de seu filho.

    As crianças, ao que parece, são as maiores defensoras pela permanência de Neymar no Paris Saint-Germain. “Neymar é um grande jogador do PSG e deveria ser uma lenda. Acho que ele deve ficar, eu quero que ele fique”, disse o menino inglês Harley Hatcher, de 7 anos, que fez com a sua família o tour PSG Experience, no qual o clube recebe turistas do mundo inteiro em sua sede.

    O franco-brasileiro Leandro Sicard, de 10 anos, jogador do clube francês SF Vaucresson e fã de futebol, disse que admirava Neymar quando o craque chegou ao PSG, há dois anos, mas hoje ele está decepcionado. Ainda assim, sua aposta é que ele fica. “Este ano ele vai ficar, mas na próxima temporada vai para o Real Madrid ou para quem possa comprá-lo”.

    O israelense Ido Kufman, de 18 anos, fez a visita guiada pelo PSG com seus dois irmãos mais novos, de 11 e 9 anos, e traduzia em hebraico tudo o que o guia falava em inglês. Ele foi também a pessoa do grupo que acertou mais perguntas sobre o time. Ao ser questionado sobre sua aposta quanto ao futuro de Neymar, ele também é do time do “fica”: "Neymar fica, mas simplesmente por uma questão de dinheiro. O PSG não aceitou as propostas até agora. Eles são espertos e não precisam vender Neymar abaixo do valor pelo qual o compraram”.

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      Comemoração aos 50 anos do PSG pode influenciar na permanência do craque

      Clube da capital francesa vai festejar meio século de fundação em 2020

      Paloma Varón, especial de Paris, O Estado de S.Paulo

      22 de agosto de 2019 | 18h32

      O artista gráfico francês Estim, que prepara um grande painel comemorativo dos 50 anos do Paris Saint-Germain – a serem celebrados em 2020 – nos muros externos do estádio do clube, acredita que Neymar deve ficar apenas mais um ano na França. “Ele foi comprado pelo maior valor já pago por um jogador. Ele tem de ficar, se recuperar e jogar ao menos uma temporada inteira no PSG, quando o clube completa 50 anos. Depois, ele pode ir para onde ele quiser”, declara.

      Nas dependências, do clube, sob anonimato, todos os funcionários tinham uma opinião sobre o futuro de Neymar. Desde aquele que acha que ele deve ficar, mas aponta para uma maca na sala de recuperação e diz que “ali é o lugar de Neymar no PSG”, até aquele que acha que ele não vai permanecer, “até porque não tem mais clima”.

      O clima dentro e fora do clube é de preocupação com a forma física do atacante brasileiro. Praticamente todos os entrevistados ligaram a imagem de Neymar à palavra “ferimentos”. Para o francês Nikola Stevanovic, que é consultor e comentarista de futebol na TV francesa RMC Sport, “em um mundo em que a comunicação é mais do que nunca estratégica, não havia nada de inocente nem de espontâneo na declaração de Neymar sobre a 'remontada'. Pelo contrário, era um apelo flagrante ao clube espanhol para que o recontrate”.

      Stevanovic disse que estava no Camp Nou naquele dia, que ele considera trágico para o PSG, e apesar de não aprovar o comportamento do astro, acha que Neymar ficará no PSG. "Por ausência de outras possibilidades, simplesmente porque todas as pistas de transferências são barradas e o Barça não pode se permitir este investimento. E, no Real Madrid, que poderia pagar, Zidane se oporia à vinda do brasileiro para o clube”, analisa.

      A declaração de Stevanovic vai de encontro à capa do jornal esportivo L’Équipe desta quinta-feira, que traz uma foto de Neymar, o valor de 100 milhões de euros acompanhado de três jogadores (Bale, Navas e James), referindo-se à oferta do Real Madrid – já recusada pelos PSG – com a manchete, que resume o sentimento dentro do PSG: “Paris quer mais”.

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