Victoria Faragó / Estadão
Victoria Faragó / Estadão

Torcedores italianos vão do susto ao êxtase pela conquista da Eurocopa

Gol da Inglaterra logo aos dois minutos era o começo de uma narrativa que terminou apenas nos pênaltis com o título da Itália

Victoria Faragó / Milão , especial para o Estadão

12 de julho de 2021 | 08h45

O sentimento era de derrota quando Shaw marcou o primeiro gol, dois minutos depois do pontapé inicial. Era uma narrativa já muito conhecida pelos italianos - a promessa, o potencial e a expectativa rapidamente substituídos por incerteza, rendição e desespero. Um ciclo que se repete no país desde março do ano passado, quando a Itália se tornou um dos primeiros epicentros da pandemia do novo coronavírus.

Durante todo o primeiro tempo, o moral seguiu baixo e a angústia era visível nos rostos pintados dos torcedores. Uma mesa de estudantes internacionais comentava que apesar de nunca ter se interessado pelo esporte, era impossível negar o poder do futebol de conectar grupos improváveis de estranhos. Eles estavam em Milão. E por mais que o placar apontasse um resultado diferente, a Itália já era vitoriosa pelo simples fato de poder reunir todas essas pessoas em bares, ruas e calçadas depois de tanto tempo de restrições e distanciamento.

Quando Bonucci empatou, no mais inesperado dos avanços da seleção Azzurra, ninguém viu o replay. Estavam ocupados demais gritando a plenos pulmões, soando buzinas e abraçando as pessoas ao lado - independentemente de serem conhecidos ou não. Bem como nas cantorias nas varandas do primeiro lockdown, italianos de sangue e de escolha se juntavam por um bem comum, o futebol da Itália

Foram 120 minutos sofridos, lutando agressivamente para ganhar o controle sobre uma circunstância que desde o início já estava desgovernada. E não foi por falta de esforço que a Itália não conseguiu virar o jogo, mas sim porque competia contra um adversário formidável, que não estava disposto a facilitar a disputa. Chegar aos pênaltis foi consequência da dificuldade de gerir a situação depois do choque inicial.Os torcedores que estavam nas ruas de Milão, no Duomo, sofreram como numa típica ópera italiana.

Mas com paciência - e incontáveis clamores pelo fracasso do oponente - o resultado veio. E parecia ter demorado toda uma vida, mas foi ainda melhor por causa de todos os desafios superados. Entre gritos, buzinas e sinalizadores, era fácil de ver que o pior estava para trás e, em nome do sentimento coletivo de triunfo que pairava pelo ar naquele momento, valeu a pena cada segundo de espera. A Itália estava viva, de volta, unida por uma competição. O time ficou fora da Copa do Mundo da Rússia, em 2018. Não houve sofrimento  maior no futebol. Não havia para quem torcer. Inimaginável.

Por todos os cantos da cidade da moda, autoridades e barreiras de segurança foram incapazes de conter a explosão de uma energia que estava dormente dentro de cada um dos italianos esperando por esse momento há mais de um ano. E em frente a um Duomo lotado, com monumentos cobertos por uma mistura de pessoas e bandeiras, fogos de artifício coloriram o céu. Nesse momento ficou claro todo esse sentimento de ser campeão.

Tudo isso assim que o jogo com a Inglaterra acabou. A festa vai continuar pela semana.

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