Torcedores palmeirenses vão à Justiça

Com o time de futebol profissional rebaixado para a segunda divisão, o presidente do Palmeiras, Mustafá Contursi, tem dedicado a maior parte de seu tempo aos escritórios de advocacia. Já não é segredo para ninguém que o cartola palmeirense ?adorou? a iniciativa da diretoria do Botafogo de ?virar a mesa? no Campeonato Brasileiro de 2003. Mas, a partir de agora, outro motivo vai forçar o dirigente a procurar advogados: uma solicitação ao Ministério Público (MP) de investigação e providências "cíveis e criminais" contra a administração do clube.O documento ao qual a Agência Estado teve acesso foi elaborado por três grupos que se intitulam "palmeirenses indignados". O primeiro, denominado "Confraria do Palmeiras", reúne cerca de 10 advogados; o segundo, "Energia Alviverde", representa 40 engenheiros; já o terceiro, "Reage Palmeiras", trata dos interesses de torcedores sem vínculo com categoria profissional. Todos fazem questão de enaltecer o fato de não haver qualquer relação com torcidas organizadas, muito menos com a oposição ao presidente Mustafá Contursi."Sabemos que o clube está na véspera das eleições, mas não nos preocupamos com quem vai entrar. Só não queremos que o Mustafá continue", afirmou um dos integrantes do movimento, que preferiu não se identificar.Em 42 páginas e centenas de documentos anexos, a peça, encaminhada na terça-feira à Procuradora Regional da República, Janice Agostinho Barreto Ascari, expõe o resultado de três meses de investigação. "Fizemos isso por nosso conta, pois estávamos cansados das histórias de desmandos que ouvíamos no clube", explicou o mesmo integrante. "Acontece que chega num determinado ponto que não conseguimos mais evoluir. Por isso recorremos ao Ministério Público. Eles têm condição de aprofundar e tomar medidas concretas."Dois dos pontos que mais chamam a atenção são os que tratam do contrato com a empresa de material esportivo Rhumell, atual fornecedora, e da situação do clube com o INSS, do qual seria devedor. Segundo a ação, na época da assinatura do contrato, a diretoria do Palmeiras tinha proposta mais vantajosa da Umbro, que foi preterida.Em análise geral, calcula-se que o prejuízo do Palmeiras esteja próximo dos R$ 11 milhões. Questiona-se também a legitimidade do mandato de Mustafá Contursi. Na argumentação, tenta-se dar à mudança dos estatutos que permitiu a reeleição do presidente do clube, realizada em 1996, um aspecto imoral e arbitrário.

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