Daniel Teixeira
O palmeirense Keller Bravo adquire ingressos na casa lotérica para o jogo de seu time no Allianz Parque Daniel Teixeira

Torcedores podem comprar ingressos nas casas lotéricas

Parceria entre a Caixa Econômica Federal e a iniciativa privada cria nova opção para os torcedores. Palmeiras é o primeiro a testá-la

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2015 | 07h00

O palmeirense Keller Celso Knebel Bravo entrou na casa lotérica Ponto Quente, na rua Turiaçu, e pediu um ingresso para o jogo do seu time contra o Rio Claro na última quarta-feira. A atendente não estranhou o pedido. Keller separou o dinheiro, informou o CPF e, em menos de três minutos, estava com o comprovante. Ficou satisfeito por fazer a compra no mesmo lugar em que paga contas e faz uma fé na Mega Sena. Ficou mais satisfeito ainda depois da partida: vitória do Palmeiras por 3 a 0. A lotérica deu sorte. 

Adquirir ingressos para jogos de futebol em casas lotéricas é o resultado de uma parceria da Caixa Econômica Federal com os clubes de futebol e a iniciativa privada divulgada com exclusividade pelo Estado. Por enquanto, só é possível comprar entradas para jogos do Palmeiras no Allianz Parque, o primeiro clube do País a testar o serviço, que está em fase piloto. De acordo com a Caixa, vários estádios e clubes estão cadastrados e em fase de implantação. “É mais um serviço que a Caixa coloca à disposição do cidadão, visando à comodidade e acesso a eventos esportivos”, diz a nota da Caixa. 

Para comprar os ingressos, é preciso ser sócio-torcedor – não é vendido o bilhete físico, apenas um comprovante cujos dados ficam armazenados no cartão de sócio. As vendas são feitas em dinheiro ou cartão de débito da Caixa (no caso de correntistas) em 13.250 casas lotéricas em todo o Brasil. “O objetivo principal é facilitar a compra do ingresso e o acesso do torcedor ao estádio”, afirma Robson de Oliveira, executivo da Futebol Card, empresa responsável pela venda dos bilhetes. 

 

A inovação também contribuiu com a profissionalização do futebol brasileiro. “O combate à venda ilegal de ingressos é fundamental para a modernização do futebol”, diz um trecho do comunicado da Caixa. 

A venda de ingressos nas casas lotéricas representa a última novidade de um longo processo de inovação nos serviços de venda. Nesse aspecto, as arenas brasileiras estão na dianteira. Desde 2007, por exemplo, é possível entrar só com o cartão de crédito nos estádios, um diferencial que só existe no Brasil. Nesse caso, basta comprar o ingresso na internet com o mesmo cartão que será apresentado na catraca do estádio. “É uma tecnologia 100% tupiniquim”, diz Oliveira. 

Foi assim que o engenheiro elétrico Sérgio Germano Oliveira acompanhou a goleada do Botafogo sobre o Bonsucesso por 4 a 0 na reabertura do Estádio Nilton Santos (antigo Engenhão). Quatro catracas estavam destinadas unicamente para a entrada com cartão de crédito. Também é possível fazer isso na Ilha do Retiro (PE), Ressacada e Orlando Scarpelli (SC), Couto Pereira (PR) e num setor do Mineirão.“A gente não enfrenta fila na bilheteria. É uma tranquilidade ter uma catraca exclusiva. Achei sensacional”, disse o botafoguense de 53 anos. 

 

No caso do Botafogo, o serviço está inserido em um processo de modernização do clube, que está tentando se reerguer no meio de uma grave crise financeira. Uma das saídas para aumentar as receitas é facilitar a vida dos torcedores. A mesma carteirinha do clube dá também acesso ao estádio. Além disso, o Botafogo criou as categorias de sócio-torcedor e sócio-proprietário, além do torcedor comum. “Atualmente, 20% dos torcedores que entram no estádio utilizam o cartão. A tendência é aumentar”, afirma Klay Salgado, diretor comercial do Botafogo. “O torcedor quer mais comodidade e estamos oferecendo isso”, completa. 

Também é possível entrar no estádio só com o aparelho celular. O estudante de Teologia Raylson Araújo Gomes comprou o ingresso pela internet, fez o download da imagem do bilhete e, no momento de entrar no Allianz Parque para assistir ao jogo Palmeiras x Rio Claro, posicionou o visor do celular no leitor da catraca. Com isso, não precisou ficar em nenhuma das longas filas que se formaram perto da hora do jogo para comprar ingressos ou retirar bilhetes adquiridos pela internet. “Foi muito fácil usar o celular. Vou fazer isso sempre”, diz Raylson.

As inovações tecnológicas sempre têm dois lados. No caso da venda de ingresso, os bilheteiros – profissionais responsáveis pela venda nos estádios – estão praticamente em processo de extinção. 

Representantes de clubes ouvidos pelo Estado informam que houve uma redução de 15% no quadro de funcionários por causa das facilidades para adquirir bilhetes. Em algumas agremiações, acabam remanejados para outras funções administrativas. Isso acontece porque em alguns jogos as bilheterias nem chegam a ser abertas, porque tudo já foi vendido pela internet. E, a partir de agora, também pelas casas lotéricas. 

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Facilidades nos ingressos ajudam ações de fidelização

Programas de sócios-torcedores são as alternativas mais viáveis para o equilíbrio financeiro dos clubes

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2015 | 07h00

As novas formas de venda de ingresso estão contribuindo com a tendência de alta dos programas de sócios-torcedores dos clubes brasileiros. Algumas delas, como a venda nas casas lotéricas, por exemplo, são restritas aos sócios, como definiu a Caixa Econômica Federal. Quanto mais vantagens e facilidades, mais estimulados os torcedores comuns se sentem a se associar. “A forma de aquisição de ingressos é um dos facilitadores dos programas de sócio-torcedor”, afirma Robson de Oliveira, executivo da empresa responsável pela venda de bilhetes nas lotéricas. 

Os programas de fidelidade, por sua vez, são uma saída para a crise financeira histórica que assombra os clubes. Com a parceria da iniciativa privada, os benefícios não se limitam ao ingresso nos estádios; abrangem outros produtos e têm alcance nacional. Isso já foi percebido pelos grandes do futebol brasileiro. O Cruzeiro, por exemplo, paga 2/3 de sua folha salarial com as ações de fidelização dos torcedores. 

O presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, reconheceu que só foi possível contratar 19 reforços, entre eles, Dudu, Arouca e Aranha, com o crescimento do programa de fidelidade. “A perspectiva é fazer o Palmeiras ter no Avanti mais uma cota de tevê”, costuma dizer o dirigente do Palmeiras. 

Especialistas concordam que a saída para a crise está na fidelização dos torcedores. “Se 1% das pessoas que se declaram como torcedores de determinado clube fosse sócia desta agremiação, a arrecadação total seria de R$ 1,5 bilhão por ano”, afirma Pedro Trengrouse, professor de Direito Esportivo da Faculdade Getúlio Vargas (FGV). 

Os investimentos dos clubes brasileiros na fidelização começam a se refletir nos levantamentos internacionais. Ranking elaborado pelo Movimento por um Futebol Melhor, que reúne empresas de peso da economia brasileira para oferecer descontos em diversos itens, ampliando os programas de fidelidade, mostra que Internacional, Palmeiras e Corinthians estão entre os 12 maiores clubes do mundo em número de sócios-torcedores. O primeiro colocado é o Benfica, que ficou à frente dos gigantes Bayern de Munique, Arsenal, Real Madrid e Barcelona

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