Torcida brasileira invade Copacabana e vibra com a goleada

Antes do jogo, porém, cerca de 200 pessoas protestaram contra violência nas favelas fechando um dos sentidos da Avenida Atlântica

Reuters

23 de junho de 2014 | 21h09

Depois de se ver tomada por torcedores de outros países nos primeiros dias de Copa do Mundo, sobretudo latino-americanos, Copacabana foi invadida nesta segunda-feira pelo verde-e-amarelo dos brasileiros, que assistiram à vitória da seleção brasileira sobre Camarões por 4 a 1, disputada em Brasília. Como de costume, a estrutura montada na areia, chamada Fifa Fan Fest, teve a lotação de 20 mil torcedores esgotada, embora no interior houvesse a sensação de menos espaço, o que fez algumas pessoas desistirem de continuar na festa durante o intervalo.

Os organizadores estimaram que mais 15 mil pessoas tenham assistido à partida do lado de fora. "É tanta confusão que às vezes não dá tempo, chega na hora do jogo você tem que parar onde está e pronto. O importante é continuar a torcida", disse o office-boy Wallace Coelho, de 21 anos, que assistia ao jogo acompanhado da namorada em pé em plena Avenida Atlântica, que teve o tráfego fechado durante o jogo e por onde mais cedo passaram manifestantes em um protesto contra violência policial. 

A boa atuação brasileira no segundo tempo da partida, disputada no estádio Mané Garrincha, fez a torcida explodir com os gols brasileiros e motivou mais confiança na seleção. O Brasil garantiu classificação para as oitavas de final da Copa em primeiro lugar do Grupo A com uma goleada sobre Camarões, conquistada graças ao talento de Neymar, que marcou dois gols no primeiro tempo que abriram caminho para a vitória contra um adversário já eliminado. 

"Hoje o Brasil fez o dever. O time era fraco, eles estavam desunidos, mas o Brasil deu uma desencantada. Contra o Chile vai ser tranquilo”, disse o analista de sistemas Bruno Lima, de 30 anos, que comemorou o aniversário de três anos de casado em Copacabana junto com vizinhos, moradores do bairro de Caxambi, zona norte da cidade. 

Alguns se mostraram mais críticos: "O problema do Brasil está ainda nas laterais que são duas avenidas. Contra Camarões foi tranquilo. A torcida que empurra o time, mas quando pegar uma seleção sul-americana pode complicar por causa da torcida, que vai fazer frente à brasileira”, afirmou Pablo Sebastian, de 23 anos, que apesar do nome é brasileiro e saiu de Itaboraí, município a cerca de 40 quilômetros do Rio, para assistir ao jogo no Fifa Fan Fest.

PROTESTO

Antes do início do jogo, cerca de 200 pessoas protestavam contra violência nas favelas. Os manifestantes fecharam um dos sentidos da Avenida Atlântica, na orla do Rio e uma das principais vias da capital, perto do local onde ficam os torcedores.

Lideravam a passeata moradores de favelas cariocas, alguns parentes de vítimas de violência policial, segurando fotos de familiares que dizem ter sido vítimas da violência. "A festa nos estádios não vale a lágrima nas favelas", dizia uma das faixas carregadas pelos que iam à frente do grupo.

"A gente acredita que as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) e as remoções são projetos políticos para grandes eventos. Esse protesto marca um ano da chacina da Maré, que é amanhã. No dia 13 planejamos outro ato, pois é quando faz um ano do desaparecimento do pedreiro Amarildo", disse Gláucia Marino, moradora do morro da Providencia e membro da rede de movimentos contra violência nas favelas que organizou o ato.

Os manifestantes percorreram a avenida à beira-mar desde a favela Chapéu-Mangueira até a altura do morro do Cantagalo, sempre isolados por um cordão da tropa de choque da Polícia Militar, e acabaram se dispersando na ladeira que dá acesso à comunidade Pavão-Pavãozinho, em Copacabana. Não houve episódios violentos. 

"Eu parei para ver porque é algo que eu li na mídia e que me preocupava antes de vir. Mas está pacífico e não estraga em nada a festa. Acho que a Fifa deveria devolver mais do tanto que se beneficia", disse Luis Flores, biólogo norte-americano de 34 anos, que veio de San Diego para o Mundial no Brasil e filmava o protesto da calçada com o celular.

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