Torcida dá "um jeitinho" para viajar

Vários associados da torcida organizada Independente deram "um jeitinho" para viajar e acompanhar a partida entre São Paulo e River Plate. Alguns venderam objetos, outros aproveitam as férias vencidas ou negociaram com os patrões. Quem viajou de ônibus desembolsou R$ 300 só de transporte - fora os R$ 50 do ingresso. A maioria é de torcedores que viajaram e têm entre 20 e 27 anos, trabalham ou estudam, mas estão de férias. O maior desafio dos são-paulinos foi conseguir ficar cinco dias sem trabalhar para enfrentar 42 horas de viagem. "Isso é o de menos. Já fizemos muita coisa pelo São Paulo. Não dá para ficar sem banho, que tomamos nos postos de gasolina. Banho gelado, mas vale a pena", diz Daniel Vilar, diretor da Independente. O técnico de informática Marlon Fernandes de Araújo, de 27 anos, foi assistir pela primeira vez a um jogo do São Paulo fora do Brasil. "Vendi meu celular para meu chefe e ainda prometi que comprarei um uísque. Ele me adiantou R$ 400 para viagem e alimentação", conta. O motoboy Walmir Arruda, de 23 anos, não teve dificuldades para negociar com o patrão. "Como não sou registrado, só disse que ficaria uma semana fora. Ele entendeu", afirmou. O problema maior foi financeiro: "Tive de vender meu Playstation II para pagar a viagem e ainda comprar bombons e flores para minha namorada, que não queria me deixar viajar", disse. Desempregado, Ayrton da Silva, também deu um jeito de viajar: "Me virei como podia. Arrumei um trocado a mais vendendo uns materiais da Independente porque sou diretor na subsede da torcida em São Bernardo. Na verdade, não dava para ficar de fora dessa". Quem vai viajar de avião nesta quarta-feira pagou R$ 1.000, já com o valor do ingresso incluso. "Mas divididos em até dez vezes, né?", ressaltou um diretor da torcida, que embarca para Buenos Aires pela manhã e se hospedará em hotel.

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