Torcida detona bomba no hotel do São Paulo

A madrugada foi tensa para o São Paulo. Os jogadores acordaram no meio da noite com o barulho da explosão de um morteiro no estacionamento do hotel Dinastia, por volta das 1h30. Os hóspedes que estavam nos andares mais baixos, incluindo alguns jogadores, tiveram a impressão de que a bomba explodiu dentro dos apartamentos - na verdade, foi detonada na garagem. A segurança encarregada de proteger o São Paulo agiu rápido. O policial Jaime Vivas, que acompanha o time desde a chegada a San Cristóbal, estava no saguão do hotel munido de uma pistola automática calibre 45 e de uma espingarda 12 milímetros, chegou rapidamente à calçada e pode ver uma perua tipo blazer com quatro ocupantes saindo em alta velocidade. Fez um disparo mas não exatamente na direção do veículo. "Só queria espantá-los", esclareceu o policial. Em seguida, Jaime pediu o socorro de quatro viaturas, que passaram o resto da noite na porta do hotel. O segurança particular do São Paulo, Marcão, também ficou de plantão a noite toda. Mas nem assim houve sossego. De hora em hora, explodia uma nova bomba, quatro no total. As 04h00 foi detonada a última, mas nenhuma assustou tanto quanto a primeira. "Pelo barulho, muito maior, e pela surpresa, por ter sido a primeira", testemunhou Rogério Ceni, hóspede do sexto andar. Já o meia Marquinhos, que dormia no segundo andar, contou que o susto foi enorme. "A sensação que eu tive era a de que a bomba tinha explodido debaixo da minha cama. Até as paredes do hotel tremeram". Apesar do susto, os jogadores amanheceram despreocupados. A maioria trocou o café da manhã pelo sono. No almoço, pareciam até se divertir com as histórias das bombas. Só Luís Fabiano e Fabão disseram ao repórter Marcelo Lima, da Jovem Pan, não ter ouvido ´absolutamente nada´. Já a preocupação da diretoria e da Comissão Técnica, hoje, era com o risco de uma atentado contra a alimentação dos jogadores. O médico José Sanches e o fisiologista Turíbio Leite de Barros foram escalados para acompanhar o trabalho dos cozinheiros, no hotel. Só sossegaram quando o almoço foi servido, pontualmente, às 12h: arroz, inhoque, saladas, frango e carne bovina. "O pessoal da cozinha fez tudo certinho", assegurou Turíbio. "Só a higiene da cozinha deixou um pouco a desejar, mas nada que vá comprometer", acrescentou o médico José Sanches. A exemplo do que ocorreu desde a chegada, a delegação foi para o estádio Pueblo Nuevo, às 18h30, protegida por um forte esquema de policiamento. Antes da saída, porém, a presidenta do Deportivo Táchira, Miriam Martinez, afirmou que a torcida de San Cristóbal não costuma ser violenta. "Nossos torcedores são pacíficos. O máximo que pode acontecer é atirarem cerveja ou outro líquido na torcida adversária. Mas a integridade física dos jogadores jamais será comprometida".

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