Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Torcida do Flamengo toma conta do Rio em celebração ao título da Libertadores

Centenas de milhares de flamenguistas se aglomeraram na Avenida Presidente Vargas para receber o elenco rubro-negro

Daniela Amorim e Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2019 | 15h28
Atualizado 25 de novembro de 2019 | 15h51

Diz o clichê que o Rio de Janeiro é futebol e carnaval, e o que aconteceu neste domingo no Centro da capital fluminense foi exatamente a união disso. Centenas de milhares de flamenguistas se aglomeraram na Avenida Presidente Vargas para receber o elenco do Flamengo campeão da Copa Libertadores. O time chegou ao Rio no fim da manhã, menos de 24 horas após derrotar o argentino River Plate de forma épica em Lima, no Peru, e foi direto ao encontro do seu extasiado torcedor.

O atacante Gabigol, autor de dois gols na decisão e artilheiro da Libertadores, foi de certa forma também o mestre de cerimônias extra-oficial da festa rubro-negra. Mesmo com todo o elenco em cima de um trio elétrico, foi o atacante quem mais se dispôs a empunhar o microfone e inflamar a torcida, principalmente repetindo os cânticos comuns nas arquibancadas do Maracanã.

Sobrou também provocação para os rivais, mesmo de outros estados, como quando o Gabigol falou que "o Palmeiras não tem Mundial". A fala fez o torcedor rubro-negro vibrar - o time paulista é o único que briga com a equipe carioca pelo título do Brasileirão e se tornou um rival nos últimos anos, pelo fato dos dois clubes serem os mais ricos do País.

A festa pela conquista da Taça Libertadores da América iniciou pouco antes das 13h, com três horas de atraso ao que estava previsto. O avião fretado que trouxe a delegação do Flamengo teve escolta de caças da Força Aérea Brasileira (FAB) ao chegar ao Rio, e pousou às 11h no aeroporto do Galeão. O elenco só deixou o local uma hora depois.

O trajeto entre o aeroporto e o Centro da cidade foi rápido, graças a um forte esquema de segurança. Motociclistas com camisas e bandeiras do Flamengo que seguiam logo atrás do comboio, porém, trataram de garantir que o percurso de 15 quilômetros fosse também de festas. À beira da via ou em cima de viadutos, centenas de pessoas gritavam pelo time.

No Centro, milhares de torcedores aguardavam desde as primeiras horas da manhã. A comemoração atraiu flamenguistas de todas as idades, que entoaram gritos de guerra e canções que exaltavam a equipe.

A vontade de comemorar o título da América 38 anos depois da primeira conquista fez com que nem mesmo a dificuldade de caminhar detivesse o entusiasmo do aposentado Ciro Corrêa, de 71 anos. Ele acompanhou o desfile do time de coração com a ajuda de uma muleta.

"Vi o jogo ontem (sábado) à noite, não podia perder a festa. Vou andar o que eu puder, o que eu conseguir. Dá para festejar", afirmou.

Após os festejos que entraram pela noite de sábado, o casal de estudantes Letícia Souza, de 18 anos, e Allan dos Santos, de 23 anos, fez questão de levantar cedo para continuar as comemorações pelo título. "Vamos ficar até o fim (da festa), com certeza", garantiu Allan. "Pena que choveu ontem, mas fomos comemorar na chuva mesmo. Fiquei toda molhada. Hoje nem passei maquiagem para não borrar na chuva", lembrou Letícia.

As irmãs Eliane Martins, de 59 anos, e Eni Nascimento, de 55 anos, também foram à Presidente Vargas. "Foi uma festa maravilhosa, de muita alegria, tudo muito pacífico, muitas famílias por aqui", comemorou a professora aposentada Eliane. "A emoção foi enorme quando a taça passou no caminhão", completou a torcedora.

Teve também quem aproveitou para tirar uma casquinha da festa. A ambulante Andressa Viana, de 30 anos, vestiu o uniforme do Flamengo para participar da comemoração, embora nem seja muito fã de futebol.

"Hoje todo mundo tem que ser flamenguista", justificou Andressa, prevendo conseguir um bom faturamento vendendo bebidas ao longo do dia.

O governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), por sua vez, passou o fim de semana associando sua imagem à do Flamengo. Ele viajou a Lima a convite dos organizadores e voltou com a delegação do Flamengo. Neste domingo, subiu até mesmo no trio elétrico dedicado aos jogadores do clube. Witzel não ficou até o final do "carnaval" rubro-negro pelos dois títulos conquistados em menos de 24 horas, que terminou com um confronto entre policiais militares e alguns torcedores.

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