Torcida do São Caetano faz protesto

O São Caetano vive situação inédita. Clube novo, mas já consolidado na elite nacional, ele corre risco de rebaixamento no Campeonato Brasileiro. E provoca protestos de sua torcida. Tanto que, nesta quinta-feira, os portões do Estádio Anacleto Campanella amanheceram pichados: "Onrra (sic) a camisa", "mercenários" e "si cai vai morre (sic)" eram as frases.Mesmo com os erros de ortografia, o recado parece transmitir o sentimento de um grupo de torcedores. O perfil da torcida do São Caetano, porém, é diferente. A organizada Bengala Azul é pioneira na cidade, sendo mais conhecida por ser formada por velhos e aposentados - só entra nela quem tem mais de 65 anos.Além disso, a torcida do São Caetano é a que menos comparece ao estádio em dias de jogos - o clube tem os noves piores públicos desta edição do Brasileiro, o que o faz ter também a pior média entre os 22 participantes. A partida contra o Figueirense, por exemplo, contou com apenas 751 pagantes.O protesto dos torcedores provocou reações diferentes no clube. Os dirigentes preferiram minimizar a atitude da torcida. "Não vi nada, não sei de nada", disse o diretor de futebol, Genivaldo Leal. Mas a comissão técnica e os jogadores parecem ter entendido melhor o recado. O técnico Jair Picerni, por exemplo, demonstrou preocupação. "Nós estamos vivendo uma situação ruim e o torcedor tem direito de reclamar", afirmou. E os jogadores compartilham da opinião do comandante. "Já passou a hora da gente voltar a vencer", avisou o goleiro Sílvio Luís, que participou de mais de 400 jogos do time e nunca viu a torcida reclamar de nada.Sem vencer há nove jogos, o São Caetano está com apenas 33 pontos e na perigosa 16ª posição do Brasileiro. Por isso mesmo, o técnico Jair Picerni está pensando em mudar o esquema tático. Ele resolveu ousar na escalação e armou a equipe com três atacantes no treino coletivo desta quinta-feira - Somália ganhou a vaga do meia Márcio Richardes e formou o trio com Dimba e Edílson. Para o jogo contra o Atlético-MG, sábado, em São Caetano, os volantes Zé Luís e Claudecir também entram no time, ocupando as vagas de Germano e Júlio César, respectivamente.

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