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Lucas Valeo/Garra do Tigre
Torcida apaixonada do Novorizontino ocupa as ruas da cidade  Lucas Valeo/Garra do Tigre

Torcida fanática é trunfo do Novorizontino contra o Palmeiras

Menor cidade a ter um time na primeira divisão paulista, Novo Horizonte atrai torcida fiel em todos os jogos

Paulo Beraldo, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2017 | 07h00

Durante toda a semana, a conversa nas ruas de Novo Horizonte era uma só: “e o jogo de domingo, hein?”. O confronto envolve o time da pequena cidade de 39 mil habitantes e o Palmeiras. Marcada para as 19h, a partida pelo primeiro jogo das quartas de final do Campeonato Paulista deve atrair mais de 12 mil torcedores no Estádio Dr. Jorge Ismael de Biasi.

A 406 quilômetros de São Paulo, Novo Horizonte vive a euforia de sua equipe alcançar feitos históricos em seu segundo ano na elite do Campeonato Paulista: chegar às quartas de final e obter a vaga para o Campeonato Brasileiro da Série D. Esses eram objetivos desde a criação do novo clube, diz o presidente Genílson da Rocha Santos, ex-jogador do time. "É muito importante para a visibilidade do clube, de seus atletas e do trabalho desenvolvido", afirma.

A gestão é um dos diferenciais do clube e se vê no discurso do presidente. "Precisamos nos aprimorar quanto à administração, para que os profissionais tenham um crescimento gradativo", afirma. O time está se consolidando no âmbito estadual e revivendo os tempos do antigo Grêmio Esportivo Novorizontino, que encerrou as atividades em 1999. "Agora queremos nos consolidar também em nível nacional com a Série D", diz.

Genílson é um dos quase 30 ex-jogadores que passaram a viver em Novo Horizonte e apoiam, de alguma maneira, a equipe. A ele se juntam nomes como Luiz Carlos Goiano, Alessandro Cambalhota e Cléber Gaúcho, todos com passagens em times importantes no Brasil e até pela seleção. A maioria dos ex-jogadores se envolveu com a equipe, conta o hoje vereador Cléber Gaúcho, jogador do antigo Novorizontino por quatro temporadas.

Gaúcho diz que o time sempre foi um orgulho e é a maior fonte de divulgação da cidade. "O Novorizontino motiva as pessoas. Nos enche de orgulho porque é uma equipe com gente séria e competente", diz. Em dias de jogo, o município tem uma dinâmica diferente: mais movimento nos hotéis, restaurantes e supermercados. E, claro, o preto e o amarelo tomam conta de Novo Horizonte. "Todos fazem parte desse trabalho desenvolvido pelo Novorizontino. A cidade se mobilizou e abraçou a equipe", diz Cléber Gaúcho.

Uma das responsáveis por manter o time é a família Biasi, proprietária de uma das duas usinas de cana-de-açúcar da cidade, motores da economia local. Essa família e investidores da região auxiliam no suporte financeiro e estrutural, explica Genílson.

Passado e presente

O nome da cidade não era tão ouvido desde 1990, quando o antigo Grêmio Esportivo Novorizontino participou da “final caipira” do Campeonato Paulista, vencida pelo Bragantino. O antigo time, que fez história no Estado, encerrou as atividades em 1999. E o novo foi fundado em 2010, sem as ações trabalhistas e problemas do anterior. A ascensão foi rápida: em 2012 o time estava na quarta divisão do Campeonato Paulista e chegou à elite em 2016.

A paixão da torcida resistiu ao tempo e o período sem um time na cidade não atrapalhou. Nas ruas, bandeiras amarelas e pretas estão no comércio e até em algumas casas. Wanninho Sanches é um dos torcedores mais conhecidos. Diz ter ido a mais de 700 jogos do Grêmio Novorizontino. Ele é presidente da Garra do Tigre, torcida organizada que acompanha o time desde 1985. A sede da torcida fica na sua casa. Em suas andanças, já viveu histórias curiosas, como quando a torcida foi de ônibus a uma cidade assistir uma partida, mas descobriu que não havia ingressos à venda e nem bilheteria.

“Conversamos com os policiais, eles abriram o portão e nós entramos de graça. E não tinha nenhum torcedor do outro time, só a gente”, diz. Em outra situação, não havia caixa de som para tocar o hino nacional, obrigatório antes das partidas. “Então um carro entrou no meio do campo e começou a tocar. Mas também não tinha alto falante, não, era som normal mesmo”, lembra.

 Novo Horizonte é a menor cidade a ter uma equipe nesta edição da primeira divisão do campeonato paulista. Mas a média de público, próxima de 3.400 pagantes por jogo, é motivo de orgulho dos torcedores. É como se um a cada dez habitantes da cidade fosse ao estádio em todas as partidas.

Não é raro escutar que muitos moradores têm apenas um time: o Grêmio Novorizontino. Gerente comercial em uma padaria, Jorge Remaeh diz que a torcida de Novo Horizonte é apaixonada pela tradição e histórias do passado. “É uma nova equipe, mas para a gente é como se fosse o mesmo”, compara.

“Eu não torço por nenhum outro time e não perco um jogo do Novorizontino”, continua. Nos últimos anos, Jorge diz ter ido à maioria das partidas, mesmo que distantes. Nas suas contas, são 72 jogos. Colecionador de camisas, entre as 376 que mantém estão todas que o Grêmio já usou e uma de recordação do time antigo. 

Gustavo Lotto, proprietário de um supermercado, também é apaixonado pela equipe. "Minha agenda nos fins de semana é a agenda do Novorizontino. Primeiro o time, depois a gente vê o que vai fazer", diz. Gustavo vai a todas as partidas em Novo Horizonte e costuma seguir o time pelo Estado. "A gente vive pelo Novorizontino. Todos na cidade se envolvem, é contagiante e bonito de se ver", afirma.

Novo Horizonte também é a menor cidade a ter um time com o Certificado de Clube Formador (CFC) da Confederação Brasileira de Futebol, ao lado de 32 clubes importantes do cenário nacional. O selo exige que a equipe garante uma indenização caso perca jogadores de 14 a 16 anos, além de possibilitar participação em futuras negociações até o final da carreira do atleta.

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'Queremos ser mais vistos no cenário nacional', diz presidente do Novorizontino

Adversário do Palmeiras nas quartas de final do Paulistão sonha alto

Entrevista com

Genílson da Rocha, presidente do Novorizontino

Paulo Beraldo, especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

02 de abril de 2017 | 07h00

Ex-jogador e presidente do clube desde a retomada do futebol profissional, em 2012, Genílson da Rocha Santos diz que o esporte deve ser gerido "de maneira correta", como qualquer empresa. "Os passos têm que ser dados de acordo com a nossa realidade. Queremos estar melhorando ano após ano e esperamos que nosso trabalho sirva de exemplo para outras equipes", diz nesta entrevista ao Estado.

O que significa para o Novorizontino a classificação para as quartas de final do Campeonato Paulista?

É muito importante para o clube. Era o segundo objetivo depois da permanência na Série A. É um passo a mais. O clube, com seu crescimento e sua linha de trabalho, buscava sim algo mais. Significa um reconhecimento pelo trabalho e uma valorização do que o clube tem feito nos últimos anos. É muito importante para a visibilidade do clube, de seus atletas e de todo o trabalho desenvolvido.

E a classificação para a Série D do Campeonato Brasileiro, um objetivo do time desde o início?

O Brasileiro era uma ambição que tínhamos. Buscávamos essa classificação que nos possibilitasse que o clube também possa crescer no âmbito nacional. Em termos de Paulista, podemos dizer que o clube está se consolidando como um time de Primeira Divisão. O objetivo, agora, é conquistar isso a nível nacional. Vamos ter o maior cuidado, o maior carinho, fazer bem feito, de forma que nos credencie a ser uma das equipes que vai estar brigando para conseguir o acesso para a Série C. O Novorizontino conquistou essa vaga por mérito e vai fazer jus a isso.

Como é a estrutura do Grêmio Novorizontino?

É um clube bem organizado. Tem uma estrutura simples. Não tem nada de anormal ou luxuoso aqui. Mas tudo é funcional. Procuramos melhorar todos os departamentos a cada ano. Quando se fala em departamento, passa por fisioterapia, centro de treinamento, cozinha, alojamento, rouparia. O Novorizontino se preocupa em melhorar todos esses segmentos. A melhoria foi passando da estrutura para o profissionais envolvidos. E as coisas caminham juntas. Providenciamos cursos e visitas a outros clubes mais estruturados para trazer sempre o que é possível dentro da nossa realidade.

E para se manter economicamente durante o ano?

A manutenção do clube, com a receita da federação, melhora consideravelmente. Mas para tocar todas as categorias de base do clube e o time anualmente ainda não é suficiente, uma vez que ainda temos somente o Paulistão de três, quatro meses de futebol profissional. O Novorizontino se preocupa muito com as categorias de base e isso faz com que seja necessário o funcionamento da estrutura de todos os profissionais durante todo o ano. Somente a receita vinda da federação não fecha a conta anual. Em vista disso, o clube conta com a participação de investidores locais que aportam no clube, diante das necessidades. Depois do campeonato, o clube tem uma defasagem que precisa dos investidores. E eles prontamente fazem com que tudo se mantenha de maneira ordenada.

Como é a folha salarial do clube?

Não posso divulgar os números exatos, mas o clube fez uma folha de acordo com os clubes do Interior. Não temos atleta ganhando acima da média do time, na faixa de R$ 20 mil a R$ 25 mil.

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