Torcida faz festa tímida na Baixada

O Santos perdeu para o Boca Juniors e adiou o sonho do terceiro título da Copa Libertadores de América. A torcida, porém, fez o seu papel. Se vestiu de preto e branco e se reuniu onde podia. Em bares, restaurantes, em calçadas, e na Praia do José Menino. Foi ali que o maior número de santistas (fora o estádio do Morumbi) permaneceu junto. A prefeitura se encarregou de armar dois telões em meio a um parque de diversões, o que atraiu mais de três mil pessoas. Um dos telões foi armado no palco de shows. O outro, bem no meio do parque, em frente aos brinquedos. Quem andava no carrinho de trombada, podia acompanhar a decisão sul-americana. A Polícia Militar reforçou o contingente na cidade. ?Estamos com mais 150 homens do que o normal", disse o capitão Eli, responsável pelo policiamento. Logo no início do jogo, a cabeçada de Alex, salva em cima da linha por um zagueiro, levou as pessoas ao delírio. A impressão era de que o time venceria. Impressão que aumentou após Robinho cabecear rente à trave. Delírio total. Até que o gol de Tévez abriu o placar para os argentinos. Desânimo geral. Leandro de Oliveira, um caixa de supermercado, sentenciou. ?O Boca vai ganhar por 2 a 1." Para o segundo tempo, o Santos precisava de um milagre. A torcida acreditava. A equipe do técnico Emerson Leão tinha pela frente uma missão indigesta: fazer 3 gols e ir para os pênaltis. O Santos jogava bem, pressionava, criava chances, emocionava. Até Alex empatar aos 29 minutos. Os torcedores soltaram um grito de desabafo. Ainda faltavam dois. O Santos partiu para cima do Boca. Os jogadores empolgaram pelo espírito de luta. Incrível, eles fizeram crer que poderiam virar. Aí saiu o segundo gol dos argentinos. Nesse instante, metade das pessoas deixaram as areias da Praia do José Menino. A outra metade fez cara de choro. No final do jogo, alguns torcedores foram para a Praça Independência, palco de muitas comemorações em Santos. E festejaram, mesmo sem vencer. Afinal, ser vice no continente é importante.

Agencia Estado,

03 de julho de 2003 | 00h55

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