Gabriela Bilo/Estadão
Gabriela Bilo/Estadão

Independente entra na discussão sobre a gravação contra Aidar

Presidente do São Paulo começa a ser pressionado pela torcida

Robson Morelli, O Estado de S. Paulo

02 Novembro 2015 | 13h41

O presidente do São Paulo está sendo pressionado para dar andamento com urgência às gravações feitas pelo vice de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, que culminou com a renúncia do então comandante do clube, Carlos Miguel Aidar. Além da pressão interna no Morumbi, de cardeais que querem ouvir as gravações, cujo conteúdo provou a maior crise da história recente do São Paulo, com possíveis condutas de corrupção, ainda não comprovadas, quem começa a questionar Leco, o novo presidente, é a torcida Independente, a maior e mais barulhenta do time.

Nas redes sociais, membros da Organizada divulgaram mensagem nesta segunda-feira em tom de ameaça: 'Nosso papel é cobrar e fiscalizar o clube. Vocês poderão enganar a todos. A voz da arquibancada, não. Transparência no caso AIDAR. Cade a gravação?' Os torcedores não pretendem aliviar para a nova diretoria. O caso está nas mãos da Comissão de Ética do São Paulo, cujo trabalho é avaliar as gravações e informar os membros do clube de tudo o que houve de fato.

 

Pelas gravações e acusações feitas por Ataíde, Carlos Miguel Aidar admite ter desviado dinheiro do São Paulo e cometido algumas irregularidades em sua curta gestão. Os 240 membros do Conselho Deliberativo do Morumbi gostariam de ouvir as gravações para tirar suas próprias conclusões. A Comissão de Ética, no entanto, não pretende abrir o conteúdo da fita para todos. A recomendação de Leco é para que tudo seja feito com cautela e atenção. O dirigente não quer cometer injustiças.

HISTÓRICO

O áudio foi gravado em outubro em conversa entre Aidar e Ataíde dentro do Morumbi. A denúncia da existência desse material motivou o rompimento entre os dois e iniciou a crise política que culminou na saída do presidente. "Eu lutarei até o fim. Não existe comigo acabar em pizza. Se fosse para isso, não faria o que fiz até agora. Fiz um papel incomum no que faço normalmente. Quero levar até o fim", disse Ataíde em entrevista semana retrasada. Com a chegada de Leco à presidência, ele retornou ao cargo de vice de futebol.

AIDAR

Em entrevista exclusiva ao Estado, Carlos Miguel Aidar negou que tenha lesado o São Paulo em benefício próprio ou para ajudar quem quer que seja. Diz que foi traído por Ataíde e decidiu se afastar para não atrapalhar as pessoas que o cercam no clube e também em sua vida pessoal, além do seu escritório.

"Eu quero que seja apurado tudo. Faço questão que se faça uma auditoria. Isso é muito importante para o São Paulo e obviamente, para mim. É importante que seja investigado cada um desses contratos. O meu sigilo fiscal, bancário, telefônico estão todos liberados para quem quiser, a hora que quiser. Eu não tenho nada a esconder de ninguém. Nunca tive e não vai ser agora. Tudo está à disposição. Eu não quero ver aquela figura de filme de terror, que tem um pântano, com água ebulindo e aquela fumaça. Não quero ver o São Paulo cozinhando nisso, não quero ver esse mal cheiro em torno do clube. Vamos investigar. Acho irregularidade? Acusa quem praticou. Não vai me achar. Porque não pratiquei nada", disse.

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