Torcida recebe Palmeiras com ovos

O time do Palmeiras foi humilhado por parte de sua torcida antes do início do clássico contra o Santos. Se o grupo comandado por Paulo Bonamigo esperava incentivo e compreensão no momento difícil - afinal antes do jogo somava seis jogos sem vencer e ainda lutava para superar uma recente eliminação na Taça Libertadores da América - deve ter se surpreendido com a recepção a base de ovos arremessados por palestrinos contra o ônibus que transportava a equipe, que chegava ao Palestra Itália pela entrada da Avenida Francisco Matarazzo. Nenhum atleta saiu ferido, a não ser no ego. Dentro do estádio, ninguém quis assumir a autoria da ação contra os jogadores antes da partida. As opiniões sobre a iniciativa da ovada se dividiam. Uma parte da torcida considerou o protesto legítimo, alegando que o time precisa de um chacoalhão para reagir, enquanto outra parte considerou que a atitude só serviria para piorar a situação da equipe. Uma terceira facção de palmeirenses, mais irônica, lamentava o desperdício de ovos. As demonstrações de inferioridade do Palmeiras em relação ao Santos não pararam nas ovadas. No pequeno espaço reservado aos torcedores santistas, a animação imperava e estava difícil encontrar um lugar para acompanhar o clássico, reflexo da boa fase do time na Taça Libertadores e no Campeonato Brasileiro. Não é exagero dizer que os torcedores que ali estavam se sentiam tão à vontade quanto na Vila Belmiro. Mesmo com a vantagem do Palmeiras no marcador com o gol de Gioino no primeiro tempo, não se intimidaram em puxar um côro de "Eliminado", fazendo menção às duas derrotas palestrinas para o São Paulo na Libertadores. A empolgação só diminuiu no gol de Daniel, no segundo. No lado do time da casa, mesmo com a grande área de isolamento criada pela polícia para evitar brigas, o torcedor não teve problemas para se acomodar: o público palmeirense foi dos mais modestos e permaneceu a maior parte do jogo em silêncio, desconfiado. Praticamente não reagiu às provocações dos santistas sobre a eliminação na Libertadores. Outro reflexo da situação foi a iniciativa da diretoria palmeirense em espalhar banners nas áreas das bilheterias anunciando ingressos de arquibancada. Nem parecia clássico. Quem teve o que comemorar com toda a situação foi a Polícia. A não ser pelo episódio das ovadas, os integrantes da corporação tiveram pouco trabalho para garantir a segurança dos torcedores que acompanharam o clássico.

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