Torcida sofre, tenta variar coro e consagra Julio Cesar

Em maior presença no Mineirão - a proporção era dez brasileiros para cada chileno -, a torcida da seleção sofreu neste sábado, calou-se em alguns momentos de tensão, ensaiou cânticos diferentes ao usual e deixou o estádio com um saldo positivo. Afinal, o Brasil se classificou para as quartas de final da Copa do Mundo ao derrotar o Chile por 3 a 2 na disputa de pênaltis, depois de empate por 1 a 1.

LEANDRO SILVEIRA, Agência Estado

28 de junho de 2014 | 19h26

O "aquecimento" da torcida começou com o apoio de patrocinadores e torcedores anônimos, que entregaram panfletos com sugestão de letras de músicas que poderiam ser cantadas dentro do estádio, em uma tentativa de acabar com o tom monocórdio dado pelo "Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor".

Nenhuma delas, provocou grande catarse, exceto por aquelas que misturavam gritos de incentivo ao Brasil com xingamentos direcionados ao ex-jogador Diego Maradona, contrapondo os mais de mil gols marcados por Pelé, com o caso de doping por cocaína do craque argentino, e também ao Chile.

A hostilidade aos chilenos se repetiu durante a execução dos hinos nacionais. Assim, quando a torcida do oponente cantava a capela o seu hino, foi respondida com as vaias dos brasileiros, que, como realizam desde a vitoriosa conquista da Copa das Confederações, também bradou a primeira parte do hino do País, dessa vez sem ser replicada pelos chilenos.

Com a bola rolando, a torcida do Brasil tentou incentivar o time, cantou uma versão adaptada para as arquibancadas de "Peguei um Ita no Norte", o samba-enredo da escola de samba Salgueiro no Carnaval de 1993 no Rio e explodiu, mesmo, com o gol marcado pelo zagueiro David Luiz, aos 18 minutos do primeiro tempo.

Mas, praticamente, ficou nisso, principalmente após o gol marcado por Alexis Sanchez, aos 32 minutos, empatando a partida no Mineirão. Foi a vez das "manchas" vermelhas nos setores do Mineirão - certamente menos de 8 mil pessoas de um público total de 57.714 espectadores - prevalecessem nas arquibancadas.

A torcida da casa, então, se calou, se resumindo ao indefectível "Sou brasileiro", às reclamações contra o juiz, aos gritos de "Julio Cesar" após grande defesa do goleiro brasileiro e aos pedidos de "Maicon" após erro cometido pelo lateral-direito Daniel Alves. E ficou nisso.

Os gritos dos chilenos só foram brecados com a entrada de Jô, atacante do Atlético-MG, o que empolgou os presentes ao Mineirão. Mas as dificuldades em campo se seguiram e parte da torcida pediu o apoio dos mais desanimados aos gritos de "Levanta". O apoio não funcionou muito e a partida seguiu para a prorrogação.

A seleção não melhorou e restou aos torcedores tentarem levantá-la cantando a primeira parte do Hino Nacional seguidas vezes. Sob a tensão da chance perdida por Pinilla nos instantes finais do segundo tempo extra, a definição ficou para os pênaltis. E os gritos de "Julio Cesar" antes do início da cobrança acabaram sendo quase premonitórios.

Sob vaias, Pinilla e Alexis Sanchez pararam no goleiro, enquanto Jara acertou a trave. Assim, o torcedor brasileiro pôde deixar o Mineirão feliz e com a seleção classificada às quartas de final da Copa. Agora, um reencontro com a torcida de Minas Gerais poderá acontecer nas semifinais, desde que o Brasil vença a Colômbia na próxima sexta-feira, no Castelão, em Fortaleza.

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