José Patrício
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'Torcida única busca evitar o pior', dizem palmeirenses

Prass e Oswaldo de Oliveira afirmam que algo deve ser feito contra a violência, mas esperam que a torcida única seja por tempo limitado

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2015 | 23h05

Tanto o goleiro Fernando Prass como o técnico Oswaldo de Oliveira utilizaram a expressão "medida extrema" para classificar a determinação da Federação Paulista de Futebol de torcida única no clássico contra o Corinthians, domingo, no Allianz Parque. De acordo com a decisão, só os palmeirenses poderão comprar ingressos, mas a diretoria do Corinthians decidiu que vai apelar à Justiça contra a decisão. "É uma medida extrema para evitar o pior. Mas é difícil para quem luta pelo futebol não ter duas torcidas em um Palmeiras x Corinthians, um clássico maravilhoso", afirmou o goleiro Fernando Prass.  

Para o arqueiro palmeirense, o futebol reflete a violência da sociedade. "Não podemos ligar isso só ao futebol, não é só o futebol que está violento. Vemos coisas absurdas acontecendo. Tenho casa há 25 anos na Guarda do Embau e um policial deu dois tiros nas costas de um menino. O que vemos no noticiário todo dia é violência em cima de violência. Isso reflete muito no futebol. São vários fatores, incluindo escândalos que tiram verba de setores que deveriam ser muito bem cuidados. É o que falam: o Brasil é o país do faz de conta, finge que pune. Estamos vendo muitas coisas acontecendo e não muda a situação do país. Isso reflete em uma data triste: o primeiro clássico em São Paulo sem torcida visitante", diz o goleiro. 

O técnico Oswaldo de Oliveira avalia que a alguma coisa precisa ser feita para acabar com a violência, mas reconhece a torcida única acaba com a beleza do espetáculo. "Não vejo como falência, mas acho que é uma medida extrema para tentar equilibrar uma situação que vem se agravando ao longo dos tempos. É claro que alguma coisa precisa ser feita, mas acho que tira muito da beleza do futebol, você ter só torcedores de um time. A iminência da violência está aí e de alguma forma precisa ser coibida. Estamos amputando o espetáculo. 


O treinador palmeirense espera que a ação seja feita por tempo determinado. "Tomara que seja uma medida agressiva e que depois alguma coisa seja feita para restabelecer aquilo que a gente acha o mais bonito do futebol, que é ver as duas torcidas respeitando o direito do adversário. Já vimos cenas deprimentes de briga de torcida e é algo que temos que coibir", opinou. 

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