Torneio de clubes da Liga Sul-Minas-Rio usará parte da estrutura da CBF

Confirmada para o primeiro semestre do próximo ano, a competição entre clubes da Liga Sul-Minas-Rio ainda não tem as suas cinco datas definidas, mas já se sabe que ela não será tão independente da CBF como chegou a ser cogitado há poucos meses. Uma reunião realizada nesta quinta-feira definiu que a arbitragem será do quadro da CBF e as questões disciplinares serão resolvidas pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), órgão mantido pela entidade. A novidade é que a liga decidiu atender à reivindicação dos árbitros e irá pagar a eles 0,5% dos direitos de transmissão.

MARCIO DOLZAN, Estadão Conteúdo

15 de outubro de 2015 | 18h29

O encontro durou cerca de quatro horas e contou com representantes da liga e diretores da CBF. O caráter do encontro foi estritamente técnico. "Foi praticamente um consenso de que será uma competição com a característica organizacional feita pela própria CBF, como é feito no Nordeste - as tarefas do tribunal de justiça e a arbitragem -, e o acerto de que não haverá nenhum conflito com o calendário nacional que já foi divulgado e também com as competições estaduais", comentou o secretário-geral da CBF, Walter Feldman. "Nos preocupamos muito para que haja uma estabilidade em todo o sistema".

Apesar disso, o CEO da liga, Alexandre Kalil, descartou qualquer possibilidade de a CBF ter direito a qualquer porcentual da receita que o novo torneio vier a gerar. "Não, não, não. Nós é que vamos vir aqui buscar (dinheiro). Se precisar, nós vamos é tomar da CBF. Eles não estão precisando, nós é que estamos precisando", afirmou.

Vista pelos clubes integrantes da liga como uma nova e importante fonte de renda, a competição encontra resistência da maioria das federações estaduais - a Federação de Futebol do Rio (Ferj) chegou a encaminhar uma nota de repúdio à CBF demonstrando insatisfação com o novo torneio. O temor é que a disputa esvazie ainda mais os Estaduais.

Sobre isso, Feldman disse que caberá aos clubes tentar apaziguar os ânimos. "Nós já pedimos isso na outra reunião (realizada na semana passada) e reiteramos agora para que o presidente Kalil e toda a sua diretoria faça o contato preliminar com as federações. É fundamental que isso aconteça com todas elas", destacou o secretário-geral.

A previsão é de que a tabela da competição seja divulgada até terça-feira. Certo, porém, é que terá cinco datas, será disputada no primeiro semestre e contará com 12 clubes. Por ser de tiro curto, o torneio deverá ser disputado com três grupos de quatro participantes. O primeiro de cada grupo, mais o melhor segundo, avançam à semifinal. Ela será disputada em jogo único, assim como a decisão.

Segundo Kalil, ainda não foram definidas quais emissoras de televisão irão transmitir a competição, mas ele garante que já há concorrência. "Duas TVs abertas nos procuraram, TVs fechadas procuraram, a internet já fez proposta, a internet internacional já fez proposta real. Estamos trabalhando. Estou satisfeito, orgulhoso e motivado", afirmou o executivo.

A novidade da verba de televisão é que ela será estendida aos árbitros. "Nós queremos colocar agora a reivindicação deles, de 0,5% do direito de televisão", confirmou Kalil.

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